Monday, June 1, 2020

Mário Ribas

Às vezes eu olho em torno de mim aqui, e vejo você.
Sua bonita luminária, suas faquinhas, caixa de vinho, copos, sininho apontador de lápis, livros...
Em mim, uma memória bonita, um ponto de percepção de que é possível ser a gente mesmo e servir um grande interesse corporativo, como a igreja episcopal.
Eu nem sei.
Lembro de nós passeando de fusca, andando no centro da cidade, escolhendo casa, que no fim você escolheu sozinho.
E o pato cozido, os muitos vinhos, pipoca, arroz japonês com um tempero louco, curry sul africano, pé de frango.
A gente se amou, o tanto que deu. Amaríamos mais, amigo... companheiro.
Comemos às vezes, eu e tu, sozinhos, o pão do Céu...
Outras vezes nem isso. Só conversamos...
Amigo, que pena que se tornou invisível.
Por aqui a coisa anda braba, a doença cercando, e o que previa você: o fascismo! - já é infelizmente real no Brasil.
Amigo, foste cedo e fiquei com saudades. Ficamos. Digo a meu filho que você foi pra casa.
A casa deve ser realmente muito excelente, pois não voltou daí. Aliás, se quer a dica, não volte...
Amigo...
Quero um dia te encontrar, se possível for.
Mas por enquanto não.
A vida é bela, amigo. 
Que saudade de você, que embelezou minha vida por um tempo.

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