Saturday, May 30, 2020

Medo

Estou com medo.
Não tenho nenhum sintoma de nada.
Mas tenho medo.
Não sei se o medo é sintoma de algo, e o tenho.
Medo do que virá, PRINCIPALMENTE... medo de o Antônio precisar ser internado por COVID-19 ou qualquer outra razão. Medo que ele passe minimamente mal, medo de ter ainda mais medo, medo de travar de medo.
Também tenho medo de a Gisele ter Covid e precisar ser isolada e eu ficar com antonio sozinho, bem como medo de ter de ficar isolado dos dois.
Medo.
Medo de acabar o dinheiro ou de não se ter de onde tirar dinheiro e sobrevir a fome.
Medo.
Medo de o Jair não cair nunca, a crise se agravar ou, pior e mais irônico, medo de outra pessoa subir ao poder por qualquer mecanismo, legal ou não, e a crise se agravar.
A crise sanitária me dá medo.
Quero fugir, não há para onde e nem como fugir sem encontrar ninguém no caminho.
Medo.
Estou com muito medo.
Não tenho conseguido trabalhar nessa semana, na tradução, o tanto que acredito que preciso. Não consigo me assentar e concentrar em escrever sem que pensamentos e sentimentos terríveis me invadam e eu fique com medo, paralisado.
A paralisia de não conseguir trabalhar aumenta o medo de faltar dinheiro pras coisas necessárias.
À noite, rezo com o Antonio. Temos rezado o terço. Ele segura um terço, eu outro, e a gente reza.
Ele agradece pelas coisas que passam na TV, pelos brinquedos que tem, pela mamãe, pelas pessoas que falam no Zoom e na Câmera do Whatsapp.
Eu agradeço por tudo isto também, e porque não nos faltou nada, e peço que algum cientista descubra uma cura e que as pessoas que governam a gente nos ajudem a superar isto tudo mais rápido.
Tenho medo, muito medo.
Ele dorme enquanto rezamos, uma ave maria após a outra... eu fico acordado até 1:00 no mínimo, com medo.
As sete e meia, oito horas, acordo. Ele acorda, eu acordo. Vemos TV... Ele vê TV e eu cozinho e ao meio dia saio, e venho trabalhar e não consigo, e quando vejo já são 15, 16, 18 horas e escrevi tão pouco... e me vem mais medo.
Desejo ardentemente que isto pare, que acabe, que se ache cura, vacina, que todos peguem me morram, qualquer coisa que elimine este foco de medo, este horizonte curto, esta desesperança.
Sigo tendo fé.
A minha fé, hoje, é submeter todo o meu medo a este ardente desejo e já fazer uma míníma festa no fundo de mim porque viveremos. E lembraremos desta época, e choraremos.
Mas não será por medo.

Friday, May 29, 2020

Jaca verde é comestível depois de cozida. 
Já comi Jaca madura, achei bom porém trabalhoso. Burocrático. 
Tem uma jaqueira cheia de Jaca verde nos fundos do terreno. 
Veremos. 
Estou com muita saudade de dar um abração nos meus amigos, então acho bom que esse negócio de pandemia acabe. 
Mas Sei que levará  tempo. 
Paciência. 
Antônio tem programas preferidos na TV. É interessante. Pocoyo. 
Será que existirá pocoyo daqui uns tempo? 
Interessante mesmo. Assista. 

Thursday, May 28, 2020

Eu não sei de onde me vem coragem e força pra sentar e escrever.
Escrever aqui, neste diário, na rede social, no livro que vou aos poucos traduzindo.
Na vida.
Cada linha é um sinal de um ciclo respiratório a mais ou mais.
Algumas vezes eu já quis pensar que seria melhor já ter ficado doente e sarado, ou não sarado.
Algumas vezes eu já pensei em desistir de fugir.
Aí eu fecho os olhos e minhas mãos tocam os cachinhos na imaginação.
E ouço a vozinha aguda chamando pra brincar de massinha.
Na imaginação.
Os dedinhos miúdos moldaram meu cérebro, meu coração, minha alma, e sigo vivo, vivendo, viverei... por enquanto.
Ah, que na minha imaginação às vezes não sei se minha vida vale a pena, meu filho...
Mas no mundo real a sua vale.

Monday, May 25, 2020

Saudade de Cuba

É a última semana do mês.
Os Beatles cantam na caixa de som. Uma coisa.
Abbey Road. O fim.
Que bom seria que a pandemia acabasse.
Hoje tem liturgia de abertura da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos.
Sempre achei, e sigo achando, uma pena que a maior parte das pessoas acredite que Unidade diz respeito a se esquecer quem se é ou valorizar acima de tudo os pontos com os quais se concorda.
Acredito mais em Unidade como gentil discordância, num ambiente de liberdade.
Tenho saudade de Cuba. Nunca estive lá... mas que saudade de Cuba, por ser apenas o oposto da porcariada selvagelmente capitalista que nos envolve no Brasil. Putz.
Dizem que em Cuba há pouca liberdade de expressão. Acho curioso quem diz isso. Todas as pessoas cubanas que conheço (conheço algumas) não dizem isso. Dizem que têm medo da geração que está em formação por lá, que quer consumir, e não valoriza as conquistas sociais que houveram. Alimentação, moradia, saúde, educação - o REALMENTE necessário. E criticam o governo.
Posso estar errado.
Uma amiga, Griselda, me disse uma vez: "a vida para nós em Cuba não é tão ruim quanto os que não gostam de Cuba dizem, nem tão boa quanto os que gostam propagandeiam. Mas temos tudo o que é necessário."
Necessidade.
Os Beatles acabaram porque Paul achava necessário impor as músicas que ELE gostava para serem gravadas pelos outros. Silver Hammer...
Não sei o que imponho aos outros. Tenho medo de o fazer. Mas defendo pontos de vista meus, e gostaria que as pessoas os tomassem como válidos. Como possíveis.
É possível ser feliz e capitalista. É possível matar alguém com um martelo prateado e ser feliz. É possível. Posso acreditar que é possível. Respeito que seja possível. Mas isto não pode me impedir de dizer e querer todo o em contrário destas coisas. E de querer impedir que as pessoas que desejam realizar estas possibilidades o façam.
A mente divaga, vai e volta. Há âncoras. A âncora impede que o sopro que a mente é impulsione o navio da vida pra fora do que é seguro.
E o que é a segurança senão a garantia do necessário?
Digito palavras sobre Orígenes e o quarto século enquanto a terra ali fora descansa, capinada, varrida, preparada para se tornar fonte de suprimento de necessidade.
Sobrevirão uns reais (que cada vez valem menos) de toda essa digitação abestada. Esses reais se tornarão pagamento de necessidades.
Sexta passada consegui um importante objetivo: paguei tudo o que havia para pagar lá de casa. Estamos em dia com tudo, tudo, tudo. Adiantados inclusive.
Se eu morrer ou faltar ou ... haverá algum respiro para Antonio, com Gisele. Eles terão chance. Não deixo nenhum problema senão os que estão fora do meu alcance.
Ao meu alcance está chorar com os vocais de Harrisson, lamentar sua morte, desejar que as sementes de abóbora dágua germinem, guardar água da chuva, digitar o livro. Ganhar algum dinheiro, pagar o necessário, que deveria me ser grátis, e rezar às 20:00 para que, em meio as discordâncias, haja respeito e garantia de liberdade de discordância.
Que saudade de Cuba.
Será que lá é assim?
Olho pro meu lápis, trazido por Frei Maurício. Na ponta, um vidrinho com terra de Cuba.
Cuba está sobre minha escrivaninha.


Sunday, May 17, 2020

um texto despido.

Às  vezes quando dispo, cuidadoso e após pedir licença, o meu filho-passarinho, me pasmo com a confiança dele em mim. 
Idem sobre quando me assento ao computador e pago as contas. 
Ou quando me deito e com o terço na mão me lembro de que sonhos tenho. 
Poder sonhar é uma grande responsabilidade. 
Espero não me apavorar nas próximas 8 semanas. 
Não espero, hoje, nada menos que o pior. 
O comércio de Juiz de Fora, segunda cidade mais atingida pelo surto no estado, será parcialmente reaberto amanhã. Ameaçaram matar o prefeito se ele não reabrisse, dentre outras coisas. 
Estou com muitas saudades dos encontros familiares e de igreja. De poder andar livremente por aí. De ir nas casas dos amigos. 
Amanhã semearei moranga. 

Friday, May 15, 2020

no cabo da enxada

Escrevo assentado no cabo da enxada. Deitei-a fiz do cabo um poleiro. 
Estou bem no meio do terreno que estou a preparar. Chove. Está  escuro, o Sol acaba de se pôr. 
Os pingos de chuva que suaves atravessam as copas das árvores no bosque que mantenho em pé, tendo capinado só o capim e a erva ao rés do chão, me fazem sonhar. 
É bonito. 
É relaxante. 
É um sonho. 
Imagino que bom seria se daqui a 100 dias, na colheita das batatas que serão plantadas na próxima terça (hoje é sexta), a pandemia estiver sob controle. 
Teremos festa. Batata doce roxa assada nos galhos das árvores que podei ou nos muitos que achei no chão. 
Tudo será grátis. 
E se não houver sido controlada... 
Bem, serão distribuídas na medida do possível por todos os membros da comunidade que estiverem em dificuldade financeira. 
E haverá festas, cada uma em cada casa.
Inda me recordo do moço que pulou de alegria quando chegamos a ele com o que sobrou do almoço beneficente que fizemos em 1998, para a compra de um teclado Roland XP-80.
Ele tinha apenas um chuchu para si e os dois filhos. Provavelmente não comeria naquele dia.
Chegou a comida a ele. Era arroz, tutu, salpicão e pernil. Me lembro bem. 
Ele recebeu agradecido, meio cabisbaixo  e envergonhado.
Quando os irmãos estavam indo embora o viram pulando com os filhos,  de alegria. 
Não sei da vida de cada um daqueles irmãos. Num ponto do caminho que se bifurcou 8 anos atrás, decidiram que eu não poderia mais ser contado como irmão. Me expulsaram. 
Eu cantava. 
E dançava. 
E fazia festas. 
Nunca mais cantei,  não com toda aquela festa e pompa. 
Cantei e sigo cantando engasgado, somente em culto a Deus. Era assim também naquela época. Eu era o vocalista masculino principal de uma banda de louvores e tal. 
Hoje sou quase um ministro ordenado, na mesma igreja que é de Cristo (só existe uma), não mais romano. 
Eu não posso abençoar nada. Ainda não recebi das mãos de algum bispo, sucessor dos apóstolos, a ordem para tal.
Mas eu posso orar. 
E oro. Toco a terra agora. E oro. 
Que essas batatas e  tudo o mais que crescer aqui sejam comidas em festa, tão ou mais grandiosas que aquela que o moço de quem nem sei o nome, nem nunca soube, fez com os filhos. 
Seja aqui nesta casa, seja na casa de cada  um, haja festa com esse alimento que preparo, pacientemente, para todos e todas. 
Seja cada enxadada minha uma reza, seja cada rega uma bênção, seja cada adubo uma unção, seja o que nascer daqui motivo de comunhão. 
Amém. 

O direito de comer é sagrado. Estão ameaçando este direito dos brasileiros. Há muito tempo. Pecam. 

O novo ministro da saúde pediu demissão hoje. Ficou menos de um mês. A crise se agrava. Não há perspectiva de saída política. 

Deus, escute o clamor de seu povo escravizado e nos livre deste Faraó. 

Tuesday, May 12, 2020

batata roxa

Hoje foi dia da Gisele ter alergia e eu ficar com medo... 
Mas uma linda loratadina resolveu tudo em duas horas. 

Fiquei com o Antônio em casa. O tempo passou depressa...
Lavei todas as roupas de uma parte do guarda roupa q está com um cheiro estranho. Entre elas, uniformes de karate e de ju jitsu. Este já está mofado, era a provável origem do cheiro. 

Fiz bolo com  Antônio para o convencer a sair da TV. Agora ele é fã do Pocoyo. Invento coisas pra ele desligar a tv.

Não sei bem do que brinquei com ele. Mas brinquei de algumas coisas,  além de fazer bolo. 
Carrinhos, com um cinto de segurança para o Agenor. De limpar o armário, embora ele tenha ficado contrariado de não poder usar água sanitária. De dançar. De... 

As vezes me sinto um pai meia boca. Fico pensando no tanto que me incomoda ser responsável por ele. Acho que todo pai se incomoda. Como não se incomodar com a preocupação, com a angústia de ter de dar conta de ajudar uma pessoinha adorável se tornar um jovem e adulto decente? Como não se apavorar ao perceber a miudeza das  costas dele em minha mão direita, que as cobrem em 70%? Como não temer não estar fazendo nada direito? 

E quem disse que existe direito, melhor, perfeito? Só existe  o melhor de si. Todo mundo sabe disso. Mas isso não quer dizer que a ansiedade para poder ser melhor de si pra si e pra seu filho e pra todos se torna menor. Não se torna menor. Segue imensa. 

Janaina trouxe vegetais com o Fábio, e vieram abobrinhas a mais. Adoro abobrinhas. Ainda não os agradeci. 
Coloquei uma batata doce para brotar, na água. 

Antônio perguntou se a mandioca era batata doce. Disse que não. Ele comeu um pouco de mandioca. Eu também. Gisele também. Tinha um pouco de amargor. Nada muito intenso. Lógico que pensei ser ácido cianídrico e que  morreríamos todos esta noite. Mesmo após ter lido que o  ácido cianídrico tem ponto de ebulição a 25 graus e concluir que se era isso era origem do amargando, era pouco pois a panela de pressão atinge 120 graus...  Ainda sigo um pouco esperando vômitos e sufocamento e tosse. 

Eu sempre espero vômitos e tosse. 
São os sintomas mais horrorosos para mim. Sempre fico apavorado com qualquer tossidinha. Perco o sono se Antônio tem algum refluxo. 

Pensar numa doença q provoca tosse em adulto e náusea em criança é assustador. 
Pensar em mandioca enauseante é assustador. 
Viver é assustador.

Disse que não. A batata doce roxa é outro gosto.
Porque  o papai pos a batata na água? 
Para que a gente tenha mais batatas daqui a um tempo. 
Viver é assustador. 

A pandemia está se tornando mais assustadora. Pessoas cada vez mais próximas ficam graves, morrem. 
O tio de um amigo clérigo morreu em casa. Moravam somente ele e a mãe do clérigo. A última atualização que tive era que o IML ainda não buscara o corpo. 
Um conhecido de infância, mais jovem que eu, esteve grave no hospital.
A clériga amiga que não sabia se fazia ou não o exame ainda tem sintomas, após 30 dias do aparecimento dos primeiros destes. 

Gisele está dormindo. Antônio está dormindo. Jair está dormindo, bem como o STF e Rodrigo Maia. 
Todos dormem, intranquilos. 

Também dormirei intranquilo, com o terço na mão, pensamento concentrado em Gisele e em Antônio para que não tenham nada e a história do cianídrico da mandioca seja só estupidez da minha mente. 
Bem como convencido de ainda não pegamos covid. 

Dormirei com o pensamento a mil, querendo saber de tudo,  resolver tudo. 

Mas em cima  da geladeira, a batata colherá os raios de sol do amanhecer e talvez brote. 
Intranquilo, também dormirei sonhando com batatas. 
Não serão as melhores possíveis. 

Serão as melhores de si mesmas, se e quando forem, porque serão apenas elas mesmas.

Dormirei de algum modo. Sempre durmo. 

Dormirei sendo eu mesmo. 

Em mim, esperanças anseiam brotamento e novas chances. 


Monday, May 11, 2020

entre mundos

Atendi pessoas em crises pelo telefone. 
Fiz uma parreira para chuchu e outra para bucha. 
Capinei Mato (e como!).  
Fiz uma calçada  com os tapetes de eva. 
Teve um dia que simplesmente não fiz nada, até mesmo joguei sinuca no notebook, algo que não fazia há três anos ou mais. 
Até mesmo uma roçadeira eu fiz, usando um motor de liquidificador, uma lata de doce velha e abraçadeiras de nylon. 
Eu fiz coisa demais... 
Brinquei com Antônio, ajudei Gisele a fazer um vídeo, fiz peixe feito (primeira vez que Antônio comeu, ele adorou), escrevi para o devocional Sementes. 
E aí não quis escrever por uns dias. 
Fiquei cansadinho. 
É isso. 

Friday, May 8, 2020

Regina Duarte

Dez mil brasileiros mortos por covid e o presidente marcou um churrasco amanhã. 
Milhões em casa pra escapar da doença ou evitar a propagação da mesma e o presidente marcou um churrasco amanhã. 
Dezenas de milhões preocupadas enquanto muitos vão para o cercadinho do palácio do planalto tocar pandeiro pro louco sambar. 
Dezenas de milhões fecharam as portas e faliram pelo bem estar social e o presidente vai fazer um churrasco amanhã. 

São Darwin 
Rogai por nós. 

Thursday, May 7, 2020

Se a gente tivesse tentado, querido, e inventado uma fantasia ilustrativa sobre o sistema, não teria conseguido imaginar a pandemia. 
Ricos fogem de Belém do Pará em uti móvel em jatinho. 
Pobres esperam por 5 dias em cadeiras por leitos no Rio. 
Médicos já escolhem, dentre os pobres, quem vive e quem morre. 
Ricos se preocupam em fazer comidas vistosas. 
Pobres se preocupam se terão o que comer. 
Ontem comecei a capinar um matagal atrás da casa paroquial. Não fui hoje, choveu. 
Amanhã pretendo voltar. 
Fiquei em casa, Antônio e Gisele dominam e eu cuidei da cozinha. Fiz cachorro quente de forno para o jantar, ficou uma delícia. 
Me deitei e resolvi ler notícias. 
Desde o início da pandemia eu abro o g1 ou algum outro portal de notícias na esperança de alguma noticia boa ter saído. 
A queda do bozão, a cura da covid, qualquer coisa. Não tem. 
No portal só notícia boa sempre tem notícia boa, mas é tudo no sentido de esperança, mais que tudo. 
A notícia boa é que ainda temos esperança. 
A ruim é que o sistema segue funcionando como previsto : matando pobre. 
Eu sigo, com esperança, capinando mato e esperando poder colher da horta que  vou por no lugar. 
Não deixamos a esperança morrer.  Eu não vou deixar que roubem minha esperança. 
#ForaBolsonaro
#esperançar 
Beijos. 

Monday, May 4, 2020

criando um passarinho

Um novo varal, seguindo o consagrado design de ser um cordão esticado está deslumbrante na área. 
Cinco pães coloniais muito gostosos na assadeira. 
Uma balbúrdia com blocos de montar. 
Contas com o caixa da escola. Oh my, será que vai dar? 
Início do curso de capelania hospitalar...  A aula tão linda que me fez chorar. 
Não tenho mais medo. Aprendi a lidar com o medo irracional. Estou só com a quantidade de medo que já tinha antes... Mais medo, pra que? 
Antônio resolveu que é um "meninão"  e um "passarinho". 
Os dias passam, Jair não cai e seguimos adiante com calma...
Não parece haver outra forma. 

Sunday, May 3, 2020

u667

As vezes na boca da noite 
Um suspiro ou uma tosse me despertam

Levanto pressuroso pra te descobrir dormindo com um sorriso misterioso nos lábios. 

Em outros dias, é necessário algum remédio, pra reestabelecer o conforto, espantando dor e febre. 

Inventar brincadeiras, rampas de papelão para os carrinhos, piscina de bolinhas na sala, riscar de giz de cera o muro da área de serviço. 

Armar o banquinho na cozinha, rente à bancada, pra te dar pequenas tarefas de  super chef de três anos. 

Ensinar a mudar o som da flauta cobrindo e abrindo furinhos

Videochamadas pra alguém. 

Tudo o que puder amenizar sua ansiedade, sua vontade de ver a vovó, sua perguntação pela escola. 

No peito, certeza de que você passará por tudo isto e  se lembrará de forma difusa da tal de quarentena. 

Gaguejo e me percebo dormindo. Tranquilo. Para estar descansado amanhã. Pra você. 

Ser pai é escrever em verso a poesia do cotidiano. 

levante e tussa

Nariz entope à noite, cheio de secreção. 
Levanto. 
Tusso, pois a secreção desce. 
Me apavoro. 
Tem sido assim desde sempre. 
Não o pavor, coisa própria da pandemia. 
Mas a tosse. 

Tosse tosse tosse, 
Recusa-se a chamar o médico 
Tosse sem febre, sem suores, sem sangue 
A vida inteira que é assim

Diga 33,66,99.
O  senhor tem sinusite. Nada nos pulmões .
Irmã doutora não tem nada a fazer? 
Nao posso tentar pingar pimenta nas narinas? 

Tudo o que me resta é lhe indicar 
Maracujina 

Friday, May 1, 2020

um dia

De paz. 
Aprendi a fazer pão de Hambúrguer, e fica uma delícia.  
Redes sociais. 
Nada mais antissocial. 
Hoje quis ficar quieto num canto...  Mas só o fiz quando Antônio dormiu à tarde. Tirando isso... 
Até mesmo da reunião de zoom que eu tive ele quis participar. 
Adubei com húmus de minhoca todos os vasos em que plantei comidas, e com npk as plantas ornamentais. 
Conversei com minha amiga tati, assentada mst, sobre o dia do trabalho e como é difícil plantar esperanças de escape do sistema quando muitos sequer percebem que existe um sistema.
Não consegui, por exemplo, os 600 mango até hoje. Não sei se vou conseguir. 
O app simplesmente não dá retorno. Ontem ele ficou de 23 as 3:30 na mesma posição. 
O governo é uma piada de mau gosto, sei lá. 
Dormi tarde, acordei cedo, por conta de trabalho mesmo. 
Estou com muito sono. 
Na verdade estava dormindo e acordei pra escrever... 
É difícil pensar com sono. 
E sono também me dispara pensamentos persecutórios... 
Boa noite. 
Gosto de você, diário. 
Você me traz alívio.