Mas uma linda loratadina resolveu tudo em duas horas.
Fiquei com o Antônio em casa. O tempo passou depressa...
Lavei todas as roupas de uma parte do guarda roupa q está com um cheiro estranho. Entre elas, uniformes de karate e de ju jitsu. Este já está mofado, era a provável origem do cheiro.
Fiz bolo com Antônio para o convencer a sair da TV. Agora ele é fã do Pocoyo. Invento coisas pra ele desligar a tv.
Não sei bem do que brinquei com ele. Mas brinquei de algumas coisas, além de fazer bolo.
Carrinhos, com um cinto de segurança para o Agenor. De limpar o armário, embora ele tenha ficado contrariado de não poder usar água sanitária. De dançar. De...
As vezes me sinto um pai meia boca. Fico pensando no tanto que me incomoda ser responsável por ele. Acho que todo pai se incomoda. Como não se incomodar com a preocupação, com a angústia de ter de dar conta de ajudar uma pessoinha adorável se tornar um jovem e adulto decente? Como não se apavorar ao perceber a miudeza das costas dele em minha mão direita, que as cobrem em 70%? Como não temer não estar fazendo nada direito?
E quem disse que existe direito, melhor, perfeito? Só existe o melhor de si. Todo mundo sabe disso. Mas isso não quer dizer que a ansiedade para poder ser melhor de si pra si e pra seu filho e pra todos se torna menor. Não se torna menor. Segue imensa.
Janaina trouxe vegetais com o Fábio, e vieram abobrinhas a mais. Adoro abobrinhas. Ainda não os agradeci.
Coloquei uma batata doce para brotar, na água.
Antônio perguntou se a mandioca era batata doce. Disse que não. Ele comeu um pouco de mandioca. Eu também. Gisele também. Tinha um pouco de amargor. Nada muito intenso. Lógico que pensei ser ácido cianídrico e que morreríamos todos esta noite. Mesmo após ter lido que o ácido cianídrico tem ponto de ebulição a 25 graus e concluir que se era isso era origem do amargando, era pouco pois a panela de pressão atinge 120 graus... Ainda sigo um pouco esperando vômitos e sufocamento e tosse.
Eu sempre espero vômitos e tosse.
São os sintomas mais horrorosos para mim. Sempre fico apavorado com qualquer tossidinha. Perco o sono se Antônio tem algum refluxo.
Pensar numa doença q provoca tosse em adulto e náusea em criança é assustador.
Pensar em mandioca enauseante é assustador.
Viver é assustador.
Disse que não. A batata doce roxa é outro gosto.
Porque o papai pos a batata na água?
Para que a gente tenha mais batatas daqui a um tempo.
Viver é assustador.
A pandemia está se tornando mais assustadora. Pessoas cada vez mais próximas ficam graves, morrem.
O tio de um amigo clérigo morreu em casa. Moravam somente ele e a mãe do clérigo. A última atualização que tive era que o IML ainda não buscara o corpo.
Um conhecido de infância, mais jovem que eu, esteve grave no hospital.
A clériga amiga que não sabia se fazia ou não o exame ainda tem sintomas, após 30 dias do aparecimento dos primeiros destes.
Gisele está dormindo. Antônio está dormindo. Jair está dormindo, bem como o STF e Rodrigo Maia.
Todos dormem, intranquilos.
Também dormirei intranquilo, com o terço na mão, pensamento concentrado em Gisele e em Antônio para que não tenham nada e a história do cianídrico da mandioca seja só estupidez da minha mente.
Bem como convencido de ainda não pegamos covid.
Dormirei com o pensamento a mil, querendo saber de tudo, resolver tudo.
Mas em cima da geladeira, a batata colherá os raios de sol do amanhecer e talvez brote.
Intranquilo, também dormirei sonhando com batatas.
Não serão as melhores possíveis.
Serão as melhores de si mesmas, se e quando forem, porque serão apenas elas mesmas.
Dormirei de algum modo. Sempre durmo.
Dormirei sendo eu mesmo.
Em mim, esperanças anseiam brotamento e novas chances.
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