Um suspiro ou uma tosse me despertam
Levanto pressuroso pra te descobrir dormindo com um sorriso misterioso nos lábios.
Em outros dias, é necessário algum remédio, pra reestabelecer o conforto, espantando dor e febre.
Inventar brincadeiras, rampas de papelão para os carrinhos, piscina de bolinhas na sala, riscar de giz de cera o muro da área de serviço.
Armar o banquinho na cozinha, rente à bancada, pra te dar pequenas tarefas de super chef de três anos.
Ensinar a mudar o som da flauta cobrindo e abrindo furinhos
Videochamadas pra alguém.
Tudo o que puder amenizar sua ansiedade, sua vontade de ver a vovó, sua perguntação pela escola.
No peito, certeza de que você passará por tudo isto e se lembrará de forma difusa da tal de quarentena.
Gaguejo e me percebo dormindo. Tranquilo. Para estar descansado amanhã. Pra você.
Ser pai é escrever em verso a poesia do cotidiano.
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