É a última semana do mês.
Os Beatles cantam na caixa de som. Uma coisa.
Abbey Road. O fim.
Que bom seria que a pandemia acabasse.
Hoje tem liturgia de abertura da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos.
Sempre achei, e sigo achando, uma pena que a maior parte das pessoas acredite que Unidade diz respeito a se esquecer quem se é ou valorizar acima de tudo os pontos com os quais se concorda.
Acredito mais em Unidade como gentil discordância, num ambiente de liberdade.
Tenho saudade de Cuba. Nunca estive lá... mas que saudade de Cuba, por ser apenas o oposto da porcariada selvagelmente capitalista que nos envolve no Brasil. Putz.
Dizem que em Cuba há pouca liberdade de expressão. Acho curioso quem diz isso. Todas as pessoas cubanas que conheço (conheço algumas) não dizem isso. Dizem que têm medo da geração que está em formação por lá, que quer consumir, e não valoriza as conquistas sociais que houveram. Alimentação, moradia, saúde, educação - o REALMENTE necessário. E criticam o governo.
Posso estar errado.
Uma amiga, Griselda, me disse uma vez: "a vida para nós em Cuba não é tão ruim quanto os que não gostam de Cuba dizem, nem tão boa quanto os que gostam propagandeiam. Mas temos tudo o que é necessário."
Necessidade.
Os Beatles acabaram porque Paul achava necessário impor as músicas que ELE gostava para serem gravadas pelos outros. Silver Hammer...
Não sei o que imponho aos outros. Tenho medo de o fazer. Mas defendo pontos de vista meus, e gostaria que as pessoas os tomassem como válidos. Como possíveis.
É possível ser feliz e capitalista. É possível matar alguém com um martelo prateado e ser feliz. É possível. Posso acreditar que é possível. Respeito que seja possível. Mas isto não pode me impedir de dizer e querer todo o em contrário destas coisas. E de querer impedir que as pessoas que desejam realizar estas possibilidades o façam.
A mente divaga, vai e volta. Há âncoras. A âncora impede que o sopro que a mente é impulsione o navio da vida pra fora do que é seguro.
E o que é a segurança senão a garantia do necessário?
Digito palavras sobre Orígenes e o quarto século enquanto a terra ali fora descansa, capinada, varrida, preparada para se tornar fonte de suprimento de necessidade.
Sobrevirão uns reais (que cada vez valem menos) de toda essa digitação abestada. Esses reais se tornarão pagamento de necessidades.
Sexta passada consegui um importante objetivo: paguei tudo o que havia para pagar lá de casa. Estamos em dia com tudo, tudo, tudo. Adiantados inclusive.
Se eu morrer ou faltar ou ... haverá algum respiro para Antonio, com Gisele. Eles terão chance. Não deixo nenhum problema senão os que estão fora do meu alcance.
Ao meu alcance está chorar com os vocais de Harrisson, lamentar sua morte, desejar que as sementes de abóbora dágua germinem, guardar água da chuva, digitar o livro. Ganhar algum dinheiro, pagar o necessário, que deveria me ser grátis, e rezar às 20:00 para que, em meio as discordâncias, haja respeito e garantia de liberdade de discordância.
Que saudade de Cuba.
Será que lá é assim?
Olho pro meu lápis, trazido por Frei Maurício. Na ponta, um vidrinho com terra de Cuba.
Cuba está sobre minha escrivaninha.
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