Durante Pandemias e surtos anteriores, uma coisa foi comum:
O Duplo Pico.
Duplo Pico é um fenômeno social.
As pessoas se sentem confiantes de que "ah, agora ficou bom, a doença não está tão braba assim, vou visitar meus parente ali na cidade vizinha afinal tem 18 dias que não os vejo e nada de ruim vai acontecer"
E...
Xablau!
A família que foi ou a que recebeu a visita é infectada, a parada de estrada onde se compra uma coxinha é infectada, os passageiros do ônibus são infectados a caminho da cidade histórica que foi fechada por 15 dias...
E tem um novo pico de crescimento, em geral PIOR que o primeiro, porque a ele se acumulam os que já estavam doentes e os novos infectados.
A Covid tem se demonstrado um vírus quase esperto. Demora muito a se manifestar como doença, mas já se replica e espalha numa fase sem sintomas graves ou até sem sintoma nenhum.
É daí que vem uma outra ilusão, que é a de que "nada de pior vai acontecer". Quando o duplo pico se desacelera, nova confiança devido ao isolamento de 25 dias ("agora vai, não é possível!") e...
Xablau!
Mais infectados, pequeno crescimento de número total de casos ativos e mais mortos, porque muitos doentes do segundo pico ainda estão internados e até a complicação mais mínima (uma necessidadezinha de oxigênio, digamos) torna-se capaz de matar, pois o sistema faliu.
Enquanto isso, todo mundo que saiu sem acreditar no primeiro pico, que pegou logo de cara e sarou, que saiu depois de 3 semanas internado e etc... seguirá com esperança.
Todo mundo que saiu pra rua , e que sai agora, tem tanta esperança na vida que acredita que nada de ruim vai acontecer, e que é bobagem ficar em casa, e que isso tudo é um exagero.
Só, minha gente, que esperança demais é ilusão.
A única esperança possível não é a de não ficar doente, mas a de não passar pra ninguém que não possa ser infectado.
E pra não ser infectado, é só não encontrar ninguém.
E pra não encontrar ninguém, é só se enfiar em casa e sossegar o facho.
Descomplique seu pensamento:
Fica em Casa!
PS
Um medo de não se sabe o que
se curou sozinho
Pois agora o medo tem nome e DNA
mora ao lado e quer entrar
O medo de que o medonho entre me prende
Te prende
Nos apreende
Mas tem gente que nada aprende
O medo da morte, origem de todo medo
Não é medo de morrer, é medo de não viver
A vida enclausurado é espécie de prisão
Mas melhor que não viver
Tudo passa, isso também passará, nada é permanente,
exceto o receio
de estar certo
No comments:
Post a Comment