Há uma semana eu arrazoava que, em tempos de uma doença sabidamente tão grave, quem soubesse estar em risco não colocaria em risco mais pessoas.
Há uma semana eu dizia que as pessoas não são tão irresponsáveis e loucas a ponto de se arriscarem em multidões ou em cidades já contaminadas.
Então, naquela manhã, veio o primeiro confirmado e me pus em quarentena no dia seguinte, domingo à tarde.
Há uma semana atrás eu comecei a perceber que, de fato, ninguém está nem aí.
Hoje, diante do decreto pífio de Doria eu tive certeza.
Diante da entrevista ridícula do presidente, tive certeza.
Em face da realidade, eu agora vejo.
Não somos gente aos olhos do sistema.
Somos apenas uma perda de 3% de massa trabalhadora, que o capitalista há de repor com outro proletário.
O liberalismo econômico precisa dar uma trégua, e rápido, de 40 dias para a vida.
Depois, celebraremos todos.
Não é possível que a conta do necessário estoque de comida e da morte seja colocada, toda, no boleto do trabalhador.
Precisamos de um estado de sítio, de uma quarentena compulsória, que é o que sairá mais barato em todos os níveis a todos os envolvidos.
Governantes pagarão uma conta mais alta, empresários idem, trabalhadores nem se fala, por cada dia de funcionamento "normal" da sociedade brasileira.
É pra já, é pra logo, antes que Estados fechem divisas, municípios fechem limites e um caos político sem precedentes ocorra.
Antes que 2 milhões morram.
Antes que hábitos de consumo se alterem
Antes que a vida se torne impossível.
É pra já.
Se puder, ponha-se em quarentena.
Se não puder, pressione para que ela se torne compulsória.
Em geral, seu patrão não está nem aí pra seu bem estar.
Desculpe se trago más notícias.
Há uma semana atrás, eu também não acreditava nelas.
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