O som das molas rangendo dentro do colchão já experiente
É na minha cabeça o som dos galhos do cipreste (Pinus elliottii, meu pai sempre insistia em dizer)
Roçando as bandanas da janela da sala em dia de ventania.
Sobre o som do molejo hora cipreste
Apago e sonho o jardim que não mais existe
Substituído que foi por um piso
Sem cipreste
Sem nada
Só um piso e um muro mais alto
Na rua outrora tranquila
Agora carros e crianças e jovens da escola
Onde antes apenas minha vida
Perdida cercada por um jardim
Agora a vida de muitos
Pazinha e adubo na mão
Novo jardim por plantar
O cipreste já morto é hoje coluna dalgum equipamento feito outrora por nós três
Eu meu pai meu irmão
Eu coluna
Meu filho dorme, flor em botão
Cresce vagaroso talvez se planejando cipreste
Eu lhe roço com o corpanzil o molejo da cama outra
Agora janela de sonhos
E nos bate a ventania.
Lá fora, ciprestes morrem por pneumonia
Sem saber se foi o golpe do vento
Ou a chuva de iniquidades
Ou puro azar e coincidência
Sonhem, florzinhas em botão
Sonhem, plântulas divertidas
Sonhem, vossos pais se envergam agora
Não se quebrarão
Mas se contudo forem atingidos pelos golpes da tempestade
E tombarem
No futuro de alguma forma serão coluna
De novos modos de proteção
Todo sonho bom
É despertar na vida
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