Se não viu, vale a pena ver.
É a história de um judeu que é enviado com seu filho ao campo de concentração durante a segunda guerra mundial e faz de tudo para que o menino consiga passar por tudo aquilo com o máximo de leveza possível.
Em geral, quem assiste o filme fica tão impressionado com o plano de frente da história, o pai e seu filho, que não percebe as camadas posteriores do enredo.
Além da dupla, há o próprio campo, com os horrores próprios do campo. Por trás do campo, o horror de um país onde o campo está, e que está arrasado pela guerra. Por trás do país, a guerra. Por trás da guerra, a sociedade européia em suas tensões pré 1939.
Mas a camada mais profunda do enredo é a que realmente importa.
É a vida, que é... bela.
A vida não é a circunstância em que se vive, mas a capacidade de superar a experiência da finitude.
A vida é bela por que a vida do personagem do filme é a relação que ele trava com o filho.
É a sensação dos cabelos do filho entre os dedos.
É o sorriso daquela criança.
É a certeza de que tudo aquilo iria passar, e o pai queria que seu filho estivesse pronto para desfrutar.
A vida, assim, é muito, muito bela.
Neste domingo de Páscoa, despertei para a beleza inegável da vida, que mora entre meus dedos e o violão, também na conversa até alta madrugada com a esposa, no abraço do Antônio, na água que desce preguiçosa pelos telhados, nas plantas que florescem, em casa.
Minha casa é o melhor lugar do mundo, e não estou preso aqui.
Estou seguro vivendo a beleza da vida, que é inegável, mas escapa aos olhos desatentos do desespero.
Boa Páscoa, dias bonitos virão, porque a beleza da vida permanecerá disponível.
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