Desce, Pisadeira, de cima do telhado...
Senta aqui.
A Pisadeira me olha travessa, olhar em chama, unhas compridas com sangue por debaixo.
Uma monstra terrível e fantástica.
Pisadeira voa em mim, me pisa o estômago. Respiração difícil. Me pisa o pescoço. Ânsia. Me pisa o peito. Alta pressão.
Com uma dor assim no peito, um começo de angina, converso com ela, trincando dentes, com medo.
Pisadeira, menina. Não faz isso. Não posso ter medo de ti. Afinal, você sou eu.
Pisadeira, mulher, não faz assim. Não faz sentido você querer me maltratar me pondo medo sobre você, que é a parte de mim que não sei o que é.
Pisadeira, meio defunta meio desperta, porque quer causar a mim dor, que é isso de mim que é você que se alegra quando todo o resto sente-se mal?
Pisadeira, energia represada, grito contido, soco não dado, orgasmo não gozado, trabalho por mim não realizado. Seu nome é ansiedade.
Seu nome é ansiedade de mim, por razoes mim, em mim.
Seu nome é saudade de minha porção animal, Pisadeira, eu sei.
Vem, Pisadeira.
Vamos andar e fazer poema em prosa e crônica em verso.
Vamos cantar Beatles.
Vamos marcar pedalar na ergo métrica.
Vamos que sua vontade de me assustar
É o susto que tomo
Por ter medo e saudade de viver.
Vivamos, doce Pisadeira. Vivamos.
Vivo assim, conversando com a Ansiedade, que tenta se generalizar, tadinha, mas que é só criança pequena (id? Ego? Em si? Pulsão?) de mil mitologias de mim me lembrando que por mais que anseie eu voltar ao z15, a chave da vida em mim é nunca deixar sair, em forma de monstra, o que também sou, e tenho de não me esquecer de que sou.
Sou carne
Uma carne acuada
Por responsabilidades e vírus
Revestida com uma fina camada
De poesia.
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