Tuesday, April 21, 2020

fazia tempo que eu não via o Eduardo.

Um dia com promessa de stress. Esta foi minha impressão ao acordar. 
Pedi itens ao telefone, antialergicos na farmacia, óleo de rícino para o cabelo, frango e carne moída no açougue, ovos e tomate e queijo  no mercado (para enfim fazer a pizza que desejamos há 35 dias). 
Fiquei pensando em como seria chato lavar tudo. 
Montei uma estação de limpeza. Um balde de 18 litros,  com 10 de água e 270 ml de água sanitária e 50 de detergente, e a medida que as coisas  fossem chegando eu ia lavando e pá. 5 minutos  no balde, enxaguar em água corrente um a um, guardar tudo. Sem erro. Estresse controlado, planejado, viável. 
Elas foram chegando e foram sendo lavadas, e o almoço foi comido, o jantar feito antes das 14:00, junto com um bolo formigueiro (primeiro q fiz na vida, passou um pouco o tempo de forno mas ficou muito bom), hora de trabalhar. 
Notícia excelente pelo app do governo, meu auxílio emergencial saiu, o que significa um respiro  e tanto a mais. Da pra pagar quase tudo em dia agora, que luxo. 
Fui sozinho pra casa paroquial, Gisele ficou com Antônio, que dormia, esperando o mercado de queijos e tomates e ovos,  que eventualmente chegou e ficou lá na estação de limpeza. 
Mexi no computador que peguei para trabalhar no lugar do meu, que queimou a placa mãe. Um computador um pouco mais velho, mas ainda muito funcional.
Este é um pouco mais novo, mas menos funcional (te peguei!) :tem Windows. 
Depois que a gente aprende a mexer no Linux direito, ou no Mac OS pro gasto, passa a detestar o Windows. É lento, trava, exige uma memória descomunal, tudo é difícil de configurar, tem uns wizard que atrapalham muito configurações manuais.
Lógico, é a opinião de quem detesta automatismos ou precisa contornar os mesmos. 
No meu caso, preciso de teclados e exibição em grego e hebraico, além do português, pra conseguir trabalhar. E todos estes teclados devem ser configurados em alternância rápida para viabilizar trocar o idioma de digitação em um clique, o que o Windows não fazer sem um pacote de idiomas extra instalado. Até aí tudo bem. 
O problema é que ele exige o upgrade de uma série de outros componentes virtuais para os instalar. E para os instalar exige update do Windows sei lá o que. 
Sistemas Windows parecem não funcionar segundo a lógica de árvore de dependência. Parece q é um novelo onde tudo depende de tudo, e qualquer mínima alteração podem comprometer a viabilidade de trabalhar nele. Além dos arquivos que precisam ser baixados em cada uma destas atualizações de sistema serem muito pesados. Enfim, viva o Ubuntu. Mas não posso instalar Ubuntu nesse computador, a princípio... 
Depois de brigar com a maquina por um bom período da tarde, quando a estava desligando me liga minha irmã.
"meu carro parou no meio da rua. Você tem aquele negocio de ligar um carro no outro de bateria? "
Lógico q tenho. Item obrigatório pra quem tem carro velho. 
Lá fui eu em uma Brasília 75 fazer partida de emergência num etios 2014.
Minha irmã (esta , das 5) é médica. Tinha ido aferir pressão e glicose dos nossos pais, e a propósito tudo está bem.
Na bateria do etios, zinabre. Além disto, o cabo de partida de emergência estava no fusca e não na Brasília,  já eram 7 da noite e achamos melhor deixar o carro a noite na garagem. 
Eu estava sem máscara...  Não sai pra  ir à rua a princípio, não levei. 
Então peguei a camisa, fiz uma máscara, que até cobriu bem todo o rosto. 
E empurramos. 
Depois ela entrou na Brasília, abrimos os vidros e fui levar ela em casa.
No caminho, para cortar caminho, uma passagem por dentro do condomínio de outras pessoas. 
E lá estava eu, sem camisa com uma máscara parecendo aqueles revoltosos em penitenciária atravessando o condomínio. 
Mas o vigia, o Eduardo, me reconheceu. Ou reconheceu a Brasília.
E ficou ela em casa, que é perto da minha, e eu vim e tomei banho lavei ovos e queijos e tomates e jantei e dei jantar e banho e escova dentes e dormir e o menino não dormiu pelo menos até as 0:00 e vim pra sala porque ele começou a chutar e disse q os amigos saem de perto se a gente  bate neles. 
E o que era pra ser uma distância pedagógica de 5 minutos resultou em eu acordar perplexo as 4:30 e ver q ele dormiu também.
Deitei na cama.  Fiz uma retrospectiva de um dia de aventura. 
E conclui, antes de apagar de novo até as 8:50 : 
Fazia um tempo que eu não via o Eduardo. 

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