Monday, April 27, 2020

mercado

Até hoje de manhã eu tinha impressão de que poderia vir a dar merda. 
Hoje saí, fui ao mercado pela primeira vez desde 14/03/2020.
Antes disso, saí de casa sim, claro. Passei os primeiros vinte e um dias na casa dos padrinhos do meu filho. 
Depois voltamos pra juiz de fora e fui um dia na casa de meus pais para consertar uma máquina de lavar roupa e pegar um computador emprestado pois o da Missão do Bom Samaritano queimou a placa mãe e tem Caixa pra fazer etc. 
Também dei duas voltas com meu filho de 2 anos e oito meses no quarteirão.
Duas voltas em 44 ou 45 dias. 
Ontem ele chorou porque queria ir na rua brincar com outras crianças, filhas de pais menos rígidos, mas não deixamos.
Ele se assentou numa cadeira na porta e ficou assistindo, com água na boca. Depois brincamos eu e ele,  e demos a nossa volta na rua etc. 
Como a casa paroquial de juiz de fora está vacante (o clérigo morreu tem uns meses,  e ela se tornou local de culto, mas agora está sem culto desde 16/03) eu vou lá, e levo  ele e a minha esposa comigo. 
É bom pra eles não ficarem o tempo todo em casa, e lá tá igualmente isolado, então não fere o isolamento. 
44 dias com dor no peito querendo ser menos consciente e deixar ele ir na rua brincar a vontade. 
44 dias me preparando psicologicamente e refazendo os planos e passos. 
44 dias de receio de ir à rua. 
44 dias fazendo compras por entrega de hortifruti e farmácia e só.  
44 dias sem ir na casa de algum vizinho de que gosto, e ja me vieram uns 4 na cabeça. 
44 dias.
Saí de calça e camisa de mangas compridas, máscara. 
Pus uma roupa de motoqueiro por cima pra ir no mercado. Na saída, ainda no estacionamento, tirei a sobre roupa e pus num saco de 100 litros que levei pra isso.
E lá dentro e pelas ruas pessoas sem máscara, com crianças.
Estou tranquilo que só terei pego com azar. Me protegi muito e contra o azar q preciso dar pra ter pego não existe nenhuma proteção.
Mas... CAR**HO!
Vocês não gostam dos filhos não? 
Deixe eles em casa. 
E use máscara!
Entro em casa, lavo tudo, ponho as sacolas de molho na maquina de lavar, passo álcool em gel nas embalagens que não dá pra lavar. 
Tomo banho, um copo de vinho com a linda esposa, com quem fiz aniversário de 6 anos de casamento ontem, me deito e tenho medo de ter pego essa merda. 
Esse medo vai durar 14 dias. 
Fecho os olhos e vejo Antônio na cadeirinha olhando pra rua e rindo de poder ver a rua. 
Que situação ruim. 
Que merda. 
Amanhã será o  dia 45 de isolamento. 
Outros vários virão. 
Me sinto privilegiado de poder passar estes dias com essa mulher incrível e essa criança maravilhosa. 
Espero q acabem, sinceramente. 
Quero viver a vida lá fora. 

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