Wednesday, September 16, 2020

 Bem, parece que a essas alturas preciso assumir que isto não seja um diário.

de todo modo, escrevo aqui.

quando me dá na cabeça, lógico.

Apaguei meu instagram... fiz um instagram pra tirar fotos dadaístas e arrumar uma distração.

Foi interessante por um tempo, depois encheu o saco.

As berinjeleiras estão em flor. Plantei as mesmas tem uns 3 meses.

Um mês depois das batatas doces.

Os tomates estão nascendo por todo lado.

Aqui, em casa, na casa paroquial

eu amo plantar.

eu não aguento mais a falta de perspectiva sobre qwuando a pandemia vai acabar.

eu quero que acabe logo

já pensei em me matar.

fui na minha mae e levei antonio, um dia...

foi mais ou menos há 45 dias. acho que vou amanhã d enovo. ele gosta.

a mãe de gisele não tá bem. Não sei como, na verdade, se pelo cancer, se pela quimio, se pela pandemia, se... mas n tá bem. tá magra. tá abatida.

Eu não to bem tb não.

fiz um projeto que dá cestas de hortifruti pro zoto. acredito em hortifruti.

é um projeto decente. é bem estruturado. como usual, todo mundo pulou fora na hora H e me fudi sozinho.

to tentando automatizar ele ao máximo. participam espíritas da sociedade espírita primavera, e católicos da comunidade adorai, e nós.

Deveriam participar metodistas, tanto ligado ao moisés coppe quanto da igreja do bela aurora.

mas o pastor da bela aurora não me responde, e o moisés sumiu.

sumiu mesmo. não responde zap, não atende telefone, nada.

Eleições estão no at.

PT, PSOL, PDT, PSTU... puta merda. Todos tem candidatos. suponho que todos vão perder, e quem vai ganhar é sheila, que é do PSL. o mesmo partido de Bolsonaro. Puta merda.

Estou com medo do pós pandemia, se houver um.

estou com medo de tudo.

ontem cortei a franja de antonio pra parar de cair no olho dele. hoje cortei meu próprio cabelo. ambos resultados bem ruins. o meu pior. 

eu amo meu filho, ficarei vivo por ele.

tem doutorado em birminhgam que posso fazer. birmingham da inglaterra, nao do alabama.

estou cansado, quero não dormir. quero acordar. quero viver.

amo meu filho, amo minha esposa, amo plantar.

quero uma kombi vermelha e 1 alqueire e sumir no meio do mato, saio de lá uma vez por semana pra dizer culto.

foda-se todo mundo. estou isolado, me sinto abandonado, mas sei que não é o caso. 

raramente a gente sente o que é o caso.

Friday, September 4, 2020

Andei escrevendo em papel, e considerando organizar a coisa como um diário mesmo

 Mas desisti.

Não sou de diários, de ordem, de métodos com eu mesmo, porque tenho de o ser o tempo todo com tudo o externo, especialmente trabalho, que está atrasadíssimo.

Mal consigo tocar no teclado, mal consigo pensar em trabalho, mal consigo sofrer ou rir ou ...

Só consigo ter medo.

Estes foram meses de medo, desde a última postagem

Por isso eu volto hoje a postar.

Na desordem mesmo, mas se Deus quiser diariamente.

Morreu muito mais gente desde a última postagem...

Hoje são 125.500 mortos.

Escrevi isso ó

Cento e vinte e cinco mil e quinhentos!

Produz! Trabalha! Máscara! Trezentos conto!

Isole-se! Dois metro!

Eu uso más-ca-ra... más-ca-ra...

Delegada! Obama Junior!

Tudo isso vai passar!

Tira a máscara moleque!

Todos vamos pegar!

Olá, eu, como vai, eu, já sarou, eu? Não era covid, não era.

Retalha! Planta! Colhe!

Trabalha! Escreve!

O quê? Preguiçoso!

A Natureza segue bem! Tudo está bem!

Máscara! Máscara! Máscara!

Respire! Entube! Trinta e três, trinta e três, trinta e três!

Vacina de gato! Coronavac! Sinovac! Sputnik cinco! Soberana zero um!

Arroz é vinte e dois, Máscara! Máscara!

Estupra! Aborta! Mata criança! Solta estuprador! Mata estuprador!

Novela! Novela!

Pê-cê-érre!

A vida não pára! Não pára!

Não desista! Máscara! Máscara!

É só uma gripezinha.

.=..

E é isso. Até amanhã.

tchau.

Tuesday, June 16, 2020

Nestes dias eu fiz muito das mesmas coisas...
No dia 01 de Junho fiz compras, pelo Aplicativo de mensagens, pedi delivery.
Comprei muita coisa, gastei um belo dinheirão, pensando em não sair jamais, nem em pedir mais nada jamais, e ficar em casa.
Pedi que entregassem na casa paroquial, lavei ou limpei tudo, levei pra casa.
Uma festa. 
Quanta comida!!
Fiquei olhando e pensando e torcendo pra poder comprar comida de novo...
Mas meus planos de não sair de casa foram por água abaixo.
Minha irmã mais velha, que tem 59 anos, foi finalmente posta em home office. Trabalha num hospital, o HU, no setor de imagem.
É terceirizada, digita os laudos...
E eis que finalmente em home office, o computador falha.
Era um defeito no HD, constatei na primeira conversa.
Busquei o computador, arrumei o HD mediante o retirar e consertar com outro computador, reinstalei e devolvi.
No dia seguinte, ou poucos dias depois, ela me liga de novo: outra falha. Me descreveu o que era, e constatei ser a bateria da BIOS.
Coloquei pra ela uma bateria usada, que estava num controle remoto quase nunca usado. Acabou...
Levei outra bateria, troquei, aproveitei para a ensinar a resolver um problema com o celular...
E em casa, arranquei a roupa, pus a lavar, não lavei até hoje...
Tomei banho.
Foi meu último contato.
Ainda estou com medo de ela ter pêgo de mim ou eu dela, ainda não fazem 14 dias que fui lá.
Fazem dez...
Que medo.
Ao longo dos últimos 12 ou 14 dias tenho cuidado de batata doce. Ganhei mudas, as enraizei na água, já plantei 16, vou plantar outras 15 ou 16 amanhã.
No dia em que plantei as primeiras, que foi quarta da semana passada, dia 10, Antônio veio comigo. Pareceu se divertir muito, se molhou, se sujou... brincou, riu. Quis ficar vendo vídeo sem parar, não deixei.
Não tenho deixado...
Mas... o que há de muito mais pra ele fazer? Brincar com os mesmos brinquedos, na mesma casa, com a mamãe e o papai, sem outras crianças, ligar de videochamada (ele tem achado pouca graça nisto ultimamente)...
Poucas opções!
Recentemente ele se reencantou em trocar os CDs do som. O aparelho de som tem um carrossel para 3 cds, e ele quer trocar, quer os ver mexer, quer girar o carrossel... eu deixo. Eu ajudo. Porque ele tem direito de se divertir! E não tem sido divertido...
Enfim, deixei que ele se molhasse. E se sujasse. Apenas evitei o contato com uma aranha buraqueira, que nunca tinha visto igual, e que infelizmente matei antes de arriscar. Depois, olhando numa chave, acredito que ela não oferecia nenhum perigo real.
Sujou-se.
Eu também me sujo na terra... Além das batatas, o amigão Fábio me trouxe de presente mudas de berinjela e banana nanica. As berinjelas ainda estão na sementeira, vou as por no chão amanhã ou quinta.
E também semeei abóboras, morangas, abobrinhas... Comidas.
Plantei também um chuchu, que parece que vai pra frente...
E escrevi timidamente algumas páginas de tradução...
Arrumei também um sistema de captação de água de chuva na casa paroquial, para que não gaste demais em irrigação.
Tenho me ocupado...
Á noite, eu e a esposa linda também nos ocupamos com brincadeiras de adultos muito prazenteiras e divertidas. Sexo, que fique claro!
Mas o buraco se afunda cada vez mais. 
Já somos o segundo país com mais casos, e também o segundo onde mais morre gente, isso com números oficiais... se for ver a estimativa de alguns estatísticos, já passamos e muito.
Se o primeiro texto que pus neste diário dava conta, há 90 dias, de 300 casos e 1 morto, hoje são mais de 44 mil mortos e 600 mil casos. E o governo não caiu. Não acredito mais que vá cair. 
No meio disso tudo uma mulher matou o filho da sua empregada no Recife. COlocou o menino num elevador, sozinho, com 5 anos de idade, apertou o botão do andar 9. 
Ele estava procurando a mãe, negra, babá dos filhos dela, mas ela não quis esperar ou cuidar dele enquanto a empregada levava o cachorro pra passear.
Pos o menino no elevador, apertou  botão do andar superior (a mae estava na rua e não acima...) ele desceu, procurou a mãe, não a achou, caiu e morreu.
E ela ao ver o menino caído ao invés de se apressar em socorrer, conversou com a vizinha enquanto o menino acabava de morrer.
Eu tenho um filho negro, uma esposa negra. Somos pobres, cada vez mais. As perspectivas diminuem.
E editora não me deu garantia de pagamento para o dia 30 de Junho. Sempre pagam no último dia útil... talvez não paguem neste. É por isto que comprei o máximo de comida possível. não sei quando poderei comprar de novo.
É por isto que estou plantando comida. Quando a que comprei acabar, haverá algo plantado, quem sabe poderemos aliviar um pouco a necessidade, que pode ocorrer.
Durará ainda muito a pandemia , e especialmente a epidemia no Brasil.
44 mil mortos, NENHUMA ação federal em prol de quarentena. Comércios parcialmente abertos. Ruas cheias de gente.
Vai morrer gente pra caralho ainda... E ninguém vai fazer absolutamente NADA.
Tenho muito medo.
Muito.
Quero ir embora do Brasil, com meu filho e esposa, pra onde seja seguro.
Porque a epidemia, pelo jeito, será apenas um capítulo introdutório da crise que virá em breve.
Espero estar errado em tudo.
Espero que a editora pague, que eu não precise de viver de batata doce e abobora...
Espero MESMO.
Mas quanto a planos, não faço nenhum que não gire em torno das urgências e do recolhimento máximo, com exposição mínima.
De vez em quando o computador de alguém , infelizmente, pára.

Sunday, June 14, 2020

 Está tudo normal.
 Inclusive se colocada num quadro lógico de relação ecológica, uma doença com uma epidemia geral é, também, normal, principalmente de uma espécie altamente invasora e epidêmica como a nossa.
Ontem um abacate praticamente caiu  na minha cabeça.
E me pus a pensar em como fomos capazes de estragar tudo
A natureza está disposta a nos alimentar, nos convida a nos pormos em relação com ela
Mas preferimos escravizar a terra não para vivermos em relação, mas para fugirmos de todas.
No entanto, só existe vida onde existe relação.
A covid 19 é uma maneira gentil que o planeta encontrou para nos convidar às relações possíveis e importantes. 
Estas são as familiares e as com as coisas que precisamos pra viver. 
Se não está sendo possível a muita gente se relacionar com seus familiares, se muitos pais idosos estão isolados e pais e mães solteiras em suas casas isolados e crianças pequenas em casas isoladas...  Se isto tudo está acontecendo, talvez seja porque nosso modelo de casa familiar tenha falido e precise ser questionado, e o que temos são casas muito individuais. 
Se não tem sido possível ficar em casa e comer um pouco das coisas que a natureza joga na nossa cabeça, como o abacate de ontem, ou beber a água que guardamos ou escavamos, talvez seja porque nosso modelo de cidades deva ser questionado,  pois ele nos impede do que é mais necessário e básico à sobrevivência, e quem lhe garante subsistência lhe controla. 
Há saídas.
Mas a maior parte das pessoas prefere nem mesmo fazer a quarentena, quanto menos fazer os necessários questionamentos que frutificam na crise que se enseja quando percebemos que estamos "fora do normal". 
Estão, cegos, apegados a uma "normalidade"  que no fim não é normal, nem anormal, mas simplesmente normalizada, social, cultural, imposta. 
Há saídas. 
Mas provavelmente não as queremos. 

Monday, June 1, 2020

Mário Ribas

Às vezes eu olho em torno de mim aqui, e vejo você.
Sua bonita luminária, suas faquinhas, caixa de vinho, copos, sininho apontador de lápis, livros...
Em mim, uma memória bonita, um ponto de percepção de que é possível ser a gente mesmo e servir um grande interesse corporativo, como a igreja episcopal.
Eu nem sei.
Lembro de nós passeando de fusca, andando no centro da cidade, escolhendo casa, que no fim você escolheu sozinho.
E o pato cozido, os muitos vinhos, pipoca, arroz japonês com um tempero louco, curry sul africano, pé de frango.
A gente se amou, o tanto que deu. Amaríamos mais, amigo... companheiro.
Comemos às vezes, eu e tu, sozinhos, o pão do Céu...
Outras vezes nem isso. Só conversamos...
Amigo, que pena que se tornou invisível.
Por aqui a coisa anda braba, a doença cercando, e o que previa você: o fascismo! - já é infelizmente real no Brasil.
Amigo, foste cedo e fiquei com saudades. Ficamos. Digo a meu filho que você foi pra casa.
A casa deve ser realmente muito excelente, pois não voltou daí. Aliás, se quer a dica, não volte...
Amigo...
Quero um dia te encontrar, se possível for.
Mas por enquanto não.
A vida é bela, amigo. 
Que saudade de você, que embelezou minha vida por um tempo.

Saturday, May 30, 2020

Medo

Estou com medo.
Não tenho nenhum sintoma de nada.
Mas tenho medo.
Não sei se o medo é sintoma de algo, e o tenho.
Medo do que virá, PRINCIPALMENTE... medo de o Antônio precisar ser internado por COVID-19 ou qualquer outra razão. Medo que ele passe minimamente mal, medo de ter ainda mais medo, medo de travar de medo.
Também tenho medo de a Gisele ter Covid e precisar ser isolada e eu ficar com antonio sozinho, bem como medo de ter de ficar isolado dos dois.
Medo.
Medo de acabar o dinheiro ou de não se ter de onde tirar dinheiro e sobrevir a fome.
Medo.
Medo de o Jair não cair nunca, a crise se agravar ou, pior e mais irônico, medo de outra pessoa subir ao poder por qualquer mecanismo, legal ou não, e a crise se agravar.
A crise sanitária me dá medo.
Quero fugir, não há para onde e nem como fugir sem encontrar ninguém no caminho.
Medo.
Estou com muito medo.
Não tenho conseguido trabalhar nessa semana, na tradução, o tanto que acredito que preciso. Não consigo me assentar e concentrar em escrever sem que pensamentos e sentimentos terríveis me invadam e eu fique com medo, paralisado.
A paralisia de não conseguir trabalhar aumenta o medo de faltar dinheiro pras coisas necessárias.
À noite, rezo com o Antonio. Temos rezado o terço. Ele segura um terço, eu outro, e a gente reza.
Ele agradece pelas coisas que passam na TV, pelos brinquedos que tem, pela mamãe, pelas pessoas que falam no Zoom e na Câmera do Whatsapp.
Eu agradeço por tudo isto também, e porque não nos faltou nada, e peço que algum cientista descubra uma cura e que as pessoas que governam a gente nos ajudem a superar isto tudo mais rápido.
Tenho medo, muito medo.
Ele dorme enquanto rezamos, uma ave maria após a outra... eu fico acordado até 1:00 no mínimo, com medo.
As sete e meia, oito horas, acordo. Ele acorda, eu acordo. Vemos TV... Ele vê TV e eu cozinho e ao meio dia saio, e venho trabalhar e não consigo, e quando vejo já são 15, 16, 18 horas e escrevi tão pouco... e me vem mais medo.
Desejo ardentemente que isto pare, que acabe, que se ache cura, vacina, que todos peguem me morram, qualquer coisa que elimine este foco de medo, este horizonte curto, esta desesperança.
Sigo tendo fé.
A minha fé, hoje, é submeter todo o meu medo a este ardente desejo e já fazer uma míníma festa no fundo de mim porque viveremos. E lembraremos desta época, e choraremos.
Mas não será por medo.

Friday, May 29, 2020

Jaca verde é comestível depois de cozida. 
Já comi Jaca madura, achei bom porém trabalhoso. Burocrático. 
Tem uma jaqueira cheia de Jaca verde nos fundos do terreno. 
Veremos. 
Estou com muita saudade de dar um abração nos meus amigos, então acho bom que esse negócio de pandemia acabe. 
Mas Sei que levará  tempo. 
Paciência. 
Antônio tem programas preferidos na TV. É interessante. Pocoyo. 
Será que existirá pocoyo daqui uns tempo? 
Interessante mesmo. Assista. 

Thursday, May 28, 2020

Eu não sei de onde me vem coragem e força pra sentar e escrever.
Escrever aqui, neste diário, na rede social, no livro que vou aos poucos traduzindo.
Na vida.
Cada linha é um sinal de um ciclo respiratório a mais ou mais.
Algumas vezes eu já quis pensar que seria melhor já ter ficado doente e sarado, ou não sarado.
Algumas vezes eu já pensei em desistir de fugir.
Aí eu fecho os olhos e minhas mãos tocam os cachinhos na imaginação.
E ouço a vozinha aguda chamando pra brincar de massinha.
Na imaginação.
Os dedinhos miúdos moldaram meu cérebro, meu coração, minha alma, e sigo vivo, vivendo, viverei... por enquanto.
Ah, que na minha imaginação às vezes não sei se minha vida vale a pena, meu filho...
Mas no mundo real a sua vale.

Monday, May 25, 2020

Saudade de Cuba

É a última semana do mês.
Os Beatles cantam na caixa de som. Uma coisa.
Abbey Road. O fim.
Que bom seria que a pandemia acabasse.
Hoje tem liturgia de abertura da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos.
Sempre achei, e sigo achando, uma pena que a maior parte das pessoas acredite que Unidade diz respeito a se esquecer quem se é ou valorizar acima de tudo os pontos com os quais se concorda.
Acredito mais em Unidade como gentil discordância, num ambiente de liberdade.
Tenho saudade de Cuba. Nunca estive lá... mas que saudade de Cuba, por ser apenas o oposto da porcariada selvagelmente capitalista que nos envolve no Brasil. Putz.
Dizem que em Cuba há pouca liberdade de expressão. Acho curioso quem diz isso. Todas as pessoas cubanas que conheço (conheço algumas) não dizem isso. Dizem que têm medo da geração que está em formação por lá, que quer consumir, e não valoriza as conquistas sociais que houveram. Alimentação, moradia, saúde, educação - o REALMENTE necessário. E criticam o governo.
Posso estar errado.
Uma amiga, Griselda, me disse uma vez: "a vida para nós em Cuba não é tão ruim quanto os que não gostam de Cuba dizem, nem tão boa quanto os que gostam propagandeiam. Mas temos tudo o que é necessário."
Necessidade.
Os Beatles acabaram porque Paul achava necessário impor as músicas que ELE gostava para serem gravadas pelos outros. Silver Hammer...
Não sei o que imponho aos outros. Tenho medo de o fazer. Mas defendo pontos de vista meus, e gostaria que as pessoas os tomassem como válidos. Como possíveis.
É possível ser feliz e capitalista. É possível matar alguém com um martelo prateado e ser feliz. É possível. Posso acreditar que é possível. Respeito que seja possível. Mas isto não pode me impedir de dizer e querer todo o em contrário destas coisas. E de querer impedir que as pessoas que desejam realizar estas possibilidades o façam.
A mente divaga, vai e volta. Há âncoras. A âncora impede que o sopro que a mente é impulsione o navio da vida pra fora do que é seguro.
E o que é a segurança senão a garantia do necessário?
Digito palavras sobre Orígenes e o quarto século enquanto a terra ali fora descansa, capinada, varrida, preparada para se tornar fonte de suprimento de necessidade.
Sobrevirão uns reais (que cada vez valem menos) de toda essa digitação abestada. Esses reais se tornarão pagamento de necessidades.
Sexta passada consegui um importante objetivo: paguei tudo o que havia para pagar lá de casa. Estamos em dia com tudo, tudo, tudo. Adiantados inclusive.
Se eu morrer ou faltar ou ... haverá algum respiro para Antonio, com Gisele. Eles terão chance. Não deixo nenhum problema senão os que estão fora do meu alcance.
Ao meu alcance está chorar com os vocais de Harrisson, lamentar sua morte, desejar que as sementes de abóbora dágua germinem, guardar água da chuva, digitar o livro. Ganhar algum dinheiro, pagar o necessário, que deveria me ser grátis, e rezar às 20:00 para que, em meio as discordâncias, haja respeito e garantia de liberdade de discordância.
Que saudade de Cuba.
Será que lá é assim?
Olho pro meu lápis, trazido por Frei Maurício. Na ponta, um vidrinho com terra de Cuba.
Cuba está sobre minha escrivaninha.


Sunday, May 17, 2020

um texto despido.

Às  vezes quando dispo, cuidadoso e após pedir licença, o meu filho-passarinho, me pasmo com a confiança dele em mim. 
Idem sobre quando me assento ao computador e pago as contas. 
Ou quando me deito e com o terço na mão me lembro de que sonhos tenho. 
Poder sonhar é uma grande responsabilidade. 
Espero não me apavorar nas próximas 8 semanas. 
Não espero, hoje, nada menos que o pior. 
O comércio de Juiz de Fora, segunda cidade mais atingida pelo surto no estado, será parcialmente reaberto amanhã. Ameaçaram matar o prefeito se ele não reabrisse, dentre outras coisas. 
Estou com muitas saudades dos encontros familiares e de igreja. De poder andar livremente por aí. De ir nas casas dos amigos. 
Amanhã semearei moranga. 

Friday, May 15, 2020

no cabo da enxada

Escrevo assentado no cabo da enxada. Deitei-a fiz do cabo um poleiro. 
Estou bem no meio do terreno que estou a preparar. Chove. Está  escuro, o Sol acaba de se pôr. 
Os pingos de chuva que suaves atravessam as copas das árvores no bosque que mantenho em pé, tendo capinado só o capim e a erva ao rés do chão, me fazem sonhar. 
É bonito. 
É relaxante. 
É um sonho. 
Imagino que bom seria se daqui a 100 dias, na colheita das batatas que serão plantadas na próxima terça (hoje é sexta), a pandemia estiver sob controle. 
Teremos festa. Batata doce roxa assada nos galhos das árvores que podei ou nos muitos que achei no chão. 
Tudo será grátis. 
E se não houver sido controlada... 
Bem, serão distribuídas na medida do possível por todos os membros da comunidade que estiverem em dificuldade financeira. 
E haverá festas, cada uma em cada casa.
Inda me recordo do moço que pulou de alegria quando chegamos a ele com o que sobrou do almoço beneficente que fizemos em 1998, para a compra de um teclado Roland XP-80.
Ele tinha apenas um chuchu para si e os dois filhos. Provavelmente não comeria naquele dia.
Chegou a comida a ele. Era arroz, tutu, salpicão e pernil. Me lembro bem. 
Ele recebeu agradecido, meio cabisbaixo  e envergonhado.
Quando os irmãos estavam indo embora o viram pulando com os filhos,  de alegria. 
Não sei da vida de cada um daqueles irmãos. Num ponto do caminho que se bifurcou 8 anos atrás, decidiram que eu não poderia mais ser contado como irmão. Me expulsaram. 
Eu cantava. 
E dançava. 
E fazia festas. 
Nunca mais cantei,  não com toda aquela festa e pompa. 
Cantei e sigo cantando engasgado, somente em culto a Deus. Era assim também naquela época. Eu era o vocalista masculino principal de uma banda de louvores e tal. 
Hoje sou quase um ministro ordenado, na mesma igreja que é de Cristo (só existe uma), não mais romano. 
Eu não posso abençoar nada. Ainda não recebi das mãos de algum bispo, sucessor dos apóstolos, a ordem para tal.
Mas eu posso orar. 
E oro. Toco a terra agora. E oro. 
Que essas batatas e  tudo o mais que crescer aqui sejam comidas em festa, tão ou mais grandiosas que aquela que o moço de quem nem sei o nome, nem nunca soube, fez com os filhos. 
Seja aqui nesta casa, seja na casa de cada  um, haja festa com esse alimento que preparo, pacientemente, para todos e todas. 
Seja cada enxadada minha uma reza, seja cada rega uma bênção, seja cada adubo uma unção, seja o que nascer daqui motivo de comunhão. 
Amém. 

O direito de comer é sagrado. Estão ameaçando este direito dos brasileiros. Há muito tempo. Pecam. 

O novo ministro da saúde pediu demissão hoje. Ficou menos de um mês. A crise se agrava. Não há perspectiva de saída política. 

Deus, escute o clamor de seu povo escravizado e nos livre deste Faraó. 

Tuesday, May 12, 2020

batata roxa

Hoje foi dia da Gisele ter alergia e eu ficar com medo... 
Mas uma linda loratadina resolveu tudo em duas horas. 

Fiquei com o Antônio em casa. O tempo passou depressa...
Lavei todas as roupas de uma parte do guarda roupa q está com um cheiro estranho. Entre elas, uniformes de karate e de ju jitsu. Este já está mofado, era a provável origem do cheiro. 

Fiz bolo com  Antônio para o convencer a sair da TV. Agora ele é fã do Pocoyo. Invento coisas pra ele desligar a tv.

Não sei bem do que brinquei com ele. Mas brinquei de algumas coisas,  além de fazer bolo. 
Carrinhos, com um cinto de segurança para o Agenor. De limpar o armário, embora ele tenha ficado contrariado de não poder usar água sanitária. De dançar. De... 

As vezes me sinto um pai meia boca. Fico pensando no tanto que me incomoda ser responsável por ele. Acho que todo pai se incomoda. Como não se incomodar com a preocupação, com a angústia de ter de dar conta de ajudar uma pessoinha adorável se tornar um jovem e adulto decente? Como não se apavorar ao perceber a miudeza das  costas dele em minha mão direita, que as cobrem em 70%? Como não temer não estar fazendo nada direito? 

E quem disse que existe direito, melhor, perfeito? Só existe  o melhor de si. Todo mundo sabe disso. Mas isso não quer dizer que a ansiedade para poder ser melhor de si pra si e pra seu filho e pra todos se torna menor. Não se torna menor. Segue imensa. 

Janaina trouxe vegetais com o Fábio, e vieram abobrinhas a mais. Adoro abobrinhas. Ainda não os agradeci. 
Coloquei uma batata doce para brotar, na água. 

Antônio perguntou se a mandioca era batata doce. Disse que não. Ele comeu um pouco de mandioca. Eu também. Gisele também. Tinha um pouco de amargor. Nada muito intenso. Lógico que pensei ser ácido cianídrico e que  morreríamos todos esta noite. Mesmo após ter lido que o  ácido cianídrico tem ponto de ebulição a 25 graus e concluir que se era isso era origem do amargando, era pouco pois a panela de pressão atinge 120 graus...  Ainda sigo um pouco esperando vômitos e sufocamento e tosse. 

Eu sempre espero vômitos e tosse. 
São os sintomas mais horrorosos para mim. Sempre fico apavorado com qualquer tossidinha. Perco o sono se Antônio tem algum refluxo. 

Pensar numa doença q provoca tosse em adulto e náusea em criança é assustador. 
Pensar em mandioca enauseante é assustador. 
Viver é assustador.

Disse que não. A batata doce roxa é outro gosto.
Porque  o papai pos a batata na água? 
Para que a gente tenha mais batatas daqui a um tempo. 
Viver é assustador. 

A pandemia está se tornando mais assustadora. Pessoas cada vez mais próximas ficam graves, morrem. 
O tio de um amigo clérigo morreu em casa. Moravam somente ele e a mãe do clérigo. A última atualização que tive era que o IML ainda não buscara o corpo. 
Um conhecido de infância, mais jovem que eu, esteve grave no hospital.
A clériga amiga que não sabia se fazia ou não o exame ainda tem sintomas, após 30 dias do aparecimento dos primeiros destes. 

Gisele está dormindo. Antônio está dormindo. Jair está dormindo, bem como o STF e Rodrigo Maia. 
Todos dormem, intranquilos. 

Também dormirei intranquilo, com o terço na mão, pensamento concentrado em Gisele e em Antônio para que não tenham nada e a história do cianídrico da mandioca seja só estupidez da minha mente. 
Bem como convencido de ainda não pegamos covid. 

Dormirei com o pensamento a mil, querendo saber de tudo,  resolver tudo. 

Mas em cima  da geladeira, a batata colherá os raios de sol do amanhecer e talvez brote. 
Intranquilo, também dormirei sonhando com batatas. 
Não serão as melhores possíveis. 

Serão as melhores de si mesmas, se e quando forem, porque serão apenas elas mesmas.

Dormirei de algum modo. Sempre durmo. 

Dormirei sendo eu mesmo. 

Em mim, esperanças anseiam brotamento e novas chances. 


Monday, May 11, 2020

entre mundos

Atendi pessoas em crises pelo telefone. 
Fiz uma parreira para chuchu e outra para bucha. 
Capinei Mato (e como!).  
Fiz uma calçada  com os tapetes de eva. 
Teve um dia que simplesmente não fiz nada, até mesmo joguei sinuca no notebook, algo que não fazia há três anos ou mais. 
Até mesmo uma roçadeira eu fiz, usando um motor de liquidificador, uma lata de doce velha e abraçadeiras de nylon. 
Eu fiz coisa demais... 
Brinquei com Antônio, ajudei Gisele a fazer um vídeo, fiz peixe feito (primeira vez que Antônio comeu, ele adorou), escrevi para o devocional Sementes. 
E aí não quis escrever por uns dias. 
Fiquei cansadinho. 
É isso. 

Friday, May 8, 2020

Regina Duarte

Dez mil brasileiros mortos por covid e o presidente marcou um churrasco amanhã. 
Milhões em casa pra escapar da doença ou evitar a propagação da mesma e o presidente marcou um churrasco amanhã. 
Dezenas de milhões preocupadas enquanto muitos vão para o cercadinho do palácio do planalto tocar pandeiro pro louco sambar. 
Dezenas de milhões fecharam as portas e faliram pelo bem estar social e o presidente vai fazer um churrasco amanhã. 

São Darwin 
Rogai por nós. 

Thursday, May 7, 2020

Se a gente tivesse tentado, querido, e inventado uma fantasia ilustrativa sobre o sistema, não teria conseguido imaginar a pandemia. 
Ricos fogem de Belém do Pará em uti móvel em jatinho. 
Pobres esperam por 5 dias em cadeiras por leitos no Rio. 
Médicos já escolhem, dentre os pobres, quem vive e quem morre. 
Ricos se preocupam em fazer comidas vistosas. 
Pobres se preocupam se terão o que comer. 
Ontem comecei a capinar um matagal atrás da casa paroquial. Não fui hoje, choveu. 
Amanhã pretendo voltar. 
Fiquei em casa, Antônio e Gisele dominam e eu cuidei da cozinha. Fiz cachorro quente de forno para o jantar, ficou uma delícia. 
Me deitei e resolvi ler notícias. 
Desde o início da pandemia eu abro o g1 ou algum outro portal de notícias na esperança de alguma noticia boa ter saído. 
A queda do bozão, a cura da covid, qualquer coisa. Não tem. 
No portal só notícia boa sempre tem notícia boa, mas é tudo no sentido de esperança, mais que tudo. 
A notícia boa é que ainda temos esperança. 
A ruim é que o sistema segue funcionando como previsto : matando pobre. 
Eu sigo, com esperança, capinando mato e esperando poder colher da horta que  vou por no lugar. 
Não deixamos a esperança morrer.  Eu não vou deixar que roubem minha esperança. 
#ForaBolsonaro
#esperançar 
Beijos. 

Monday, May 4, 2020

criando um passarinho

Um novo varal, seguindo o consagrado design de ser um cordão esticado está deslumbrante na área. 
Cinco pães coloniais muito gostosos na assadeira. 
Uma balbúrdia com blocos de montar. 
Contas com o caixa da escola. Oh my, será que vai dar? 
Início do curso de capelania hospitalar...  A aula tão linda que me fez chorar. 
Não tenho mais medo. Aprendi a lidar com o medo irracional. Estou só com a quantidade de medo que já tinha antes... Mais medo, pra que? 
Antônio resolveu que é um "meninão"  e um "passarinho". 
Os dias passam, Jair não cai e seguimos adiante com calma...
Não parece haver outra forma. 

Sunday, May 3, 2020

u667

As vezes na boca da noite 
Um suspiro ou uma tosse me despertam

Levanto pressuroso pra te descobrir dormindo com um sorriso misterioso nos lábios. 

Em outros dias, é necessário algum remédio, pra reestabelecer o conforto, espantando dor e febre. 

Inventar brincadeiras, rampas de papelão para os carrinhos, piscina de bolinhas na sala, riscar de giz de cera o muro da área de serviço. 

Armar o banquinho na cozinha, rente à bancada, pra te dar pequenas tarefas de  super chef de três anos. 

Ensinar a mudar o som da flauta cobrindo e abrindo furinhos

Videochamadas pra alguém. 

Tudo o que puder amenizar sua ansiedade, sua vontade de ver a vovó, sua perguntação pela escola. 

No peito, certeza de que você passará por tudo isto e  se lembrará de forma difusa da tal de quarentena. 

Gaguejo e me percebo dormindo. Tranquilo. Para estar descansado amanhã. Pra você. 

Ser pai é escrever em verso a poesia do cotidiano. 

levante e tussa

Nariz entope à noite, cheio de secreção. 
Levanto. 
Tusso, pois a secreção desce. 
Me apavoro. 
Tem sido assim desde sempre. 
Não o pavor, coisa própria da pandemia. 
Mas a tosse. 

Tosse tosse tosse, 
Recusa-se a chamar o médico 
Tosse sem febre, sem suores, sem sangue 
A vida inteira que é assim

Diga 33,66,99.
O  senhor tem sinusite. Nada nos pulmões .
Irmã doutora não tem nada a fazer? 
Nao posso tentar pingar pimenta nas narinas? 

Tudo o que me resta é lhe indicar 
Maracujina 

Friday, May 1, 2020

um dia

De paz. 
Aprendi a fazer pão de Hambúrguer, e fica uma delícia.  
Redes sociais. 
Nada mais antissocial. 
Hoje quis ficar quieto num canto...  Mas só o fiz quando Antônio dormiu à tarde. Tirando isso... 
Até mesmo da reunião de zoom que eu tive ele quis participar. 
Adubei com húmus de minhoca todos os vasos em que plantei comidas, e com npk as plantas ornamentais. 
Conversei com minha amiga tati, assentada mst, sobre o dia do trabalho e como é difícil plantar esperanças de escape do sistema quando muitos sequer percebem que existe um sistema.
Não consegui, por exemplo, os 600 mango até hoje. Não sei se vou conseguir. 
O app simplesmente não dá retorno. Ontem ele ficou de 23 as 3:30 na mesma posição. 
O governo é uma piada de mau gosto, sei lá. 
Dormi tarde, acordei cedo, por conta de trabalho mesmo. 
Estou com muito sono. 
Na verdade estava dormindo e acordei pra escrever... 
É difícil pensar com sono. 
E sono também me dispara pensamentos persecutórios... 
Boa noite. 
Gosto de você, diário. 
Você me traz alívio. 

Thursday, April 30, 2020

último dia do mês

Hoje é o último dia do mês. 
Dia de correr pra arredondar texto e mandar pra editora. 
Dia de achar q o tempo é curto demais. 
Dia de fazer contas mentalmente e já pensar pra onde vai cada centavo. 
Dia de tensão aumentada. 
Dia em que sonho em poder trabalhar com outra coisa. 
Amanhã é dia de agradecer muito ao Cosmo por poder continuar trabalhando. 
Desde 25dias, trm sido dia de xingar o governo por conta desse tal de auxílio emergencial, simplesmente porque funciona muito precariamente. 
Pra nós aqui em casa seria um alívio importante. Corresponde a pelo menos 1/6 do nosso ganho mensal, serviria pra não deixar contas enrolarem de novo. Porque ficaram enroladas por 1 ano e assim que desenrolou, a pandemia começou a nos atingi e meu ganho, que tinha duvido muito, despertou. 
 Pra muita gente por aí é o único ganho que terão. 
Espero que estejam conseguindo. Pra elas é muito mais importante que pra nós. 
Aí lembro de como o Brasil é. De quem está no poder. 
Deus, por favor e a sério: nos salve desse novo faraó. 

Tuesday, April 28, 2020

coronga maroto

Resumo do dia: medo, o tempo todo, de ter algum coronguinha maroto pulado no meu cangote ontem. 
Se não fosse o Antônio me puxando pro doce mundo de brincadeiras dele o tempo todo, nem sei. 
Ele é realmente um barato. 
Sigo, ao que tudo indica, neurótico. 

Monday, April 27, 2020

mercado

Até hoje de manhã eu tinha impressão de que poderia vir a dar merda. 
Hoje saí, fui ao mercado pela primeira vez desde 14/03/2020.
Antes disso, saí de casa sim, claro. Passei os primeiros vinte e um dias na casa dos padrinhos do meu filho. 
Depois voltamos pra juiz de fora e fui um dia na casa de meus pais para consertar uma máquina de lavar roupa e pegar um computador emprestado pois o da Missão do Bom Samaritano queimou a placa mãe e tem Caixa pra fazer etc. 
Também dei duas voltas com meu filho de 2 anos e oito meses no quarteirão.
Duas voltas em 44 ou 45 dias. 
Ontem ele chorou porque queria ir na rua brincar com outras crianças, filhas de pais menos rígidos, mas não deixamos.
Ele se assentou numa cadeira na porta e ficou assistindo, com água na boca. Depois brincamos eu e ele,  e demos a nossa volta na rua etc. 
Como a casa paroquial de juiz de fora está vacante (o clérigo morreu tem uns meses,  e ela se tornou local de culto, mas agora está sem culto desde 16/03) eu vou lá, e levo  ele e a minha esposa comigo. 
É bom pra eles não ficarem o tempo todo em casa, e lá tá igualmente isolado, então não fere o isolamento. 
44 dias com dor no peito querendo ser menos consciente e deixar ele ir na rua brincar a vontade. 
44 dias me preparando psicologicamente e refazendo os planos e passos. 
44 dias de receio de ir à rua. 
44 dias fazendo compras por entrega de hortifruti e farmácia e só.  
44 dias sem ir na casa de algum vizinho de que gosto, e ja me vieram uns 4 na cabeça. 
44 dias.
Saí de calça e camisa de mangas compridas, máscara. 
Pus uma roupa de motoqueiro por cima pra ir no mercado. Na saída, ainda no estacionamento, tirei a sobre roupa e pus num saco de 100 litros que levei pra isso.
E lá dentro e pelas ruas pessoas sem máscara, com crianças.
Estou tranquilo que só terei pego com azar. Me protegi muito e contra o azar q preciso dar pra ter pego não existe nenhuma proteção.
Mas... CAR**HO!
Vocês não gostam dos filhos não? 
Deixe eles em casa. 
E use máscara!
Entro em casa, lavo tudo, ponho as sacolas de molho na maquina de lavar, passo álcool em gel nas embalagens que não dá pra lavar. 
Tomo banho, um copo de vinho com a linda esposa, com quem fiz aniversário de 6 anos de casamento ontem, me deito e tenho medo de ter pego essa merda. 
Esse medo vai durar 14 dias. 
Fecho os olhos e vejo Antônio na cadeirinha olhando pra rua e rindo de poder ver a rua. 
Que situação ruim. 
Que merda. 
Amanhã será o  dia 45 de isolamento. 
Outros vários virão. 
Me sinto privilegiado de poder passar estes dias com essa mulher incrível e essa criança maravilhosa. 
Espero q acabem, sinceramente. 
Quero viver a vida lá fora. 

Sunday, April 26, 2020

perplexo.

Li atentamente algumas matérias da política nacional e estadual.
Estou perplexo com a cara de pau de Jair Messias Bolsonaro e Romeu Zema. 
Perplexo. 
Não entenderam que, além de tudo, a perda de capital político para ambos será imensa. 
Que bom, e que pena. 
Deus dê ao povo a sabedoria de desobedecer os governantes que querem que trabalhem até a morte. 

Saturday, April 25, 2020

conserta-se robô.

Hoje resolvi ficar em casa. 
(kkkkkkkkkk) 
Daí acordei, fiz café, fiquei a toa, fiz almoço, deitei e dormi.
Depois acordamos, arrumei um driver de Windows 10 pra fazer funcionar o controlador midi (teclado) no notebook da mamãe. 
Antônio adorou. 
Aí a tela do notebook foi pra trás, apagou (a carcaça tá quebrada e não tô com certeza sobre se compramos ou não outra...) e peguei as ferramentas. 
Mas com o Antônio já tinha se distraído com alguma outra coisa, decidi tentar q sorte com o aspirador robótico.
Comprei o mesmo em 2018, ano de vaca gorda. Assim que a garantia passou, ele parou. 
E tava parado há uns seis meses...
Muita peça miúda. Muito elegante. Muito detector. 
Detector de giro, de angulação, de toque, de luz de...
E o que estava quebrado era o contato negativo do motor da roda  esquerda. 
Desmontei tudo. Uma linda caixa de redução, um outro conta giros. 
Arrumei a escova. Tive de emendar um pedaço de fio de ventilador lá dentro, estanhei e criei outro contato. 
E... Tá  ele ali, comendo poeira.
Uma brincadeira divertidissima. 
Tenho certeza, que, enquanto isso, o presidente e  seus coleguinhas fizeram merda. 

Friday, April 24, 2020

que dia!

Aqui em casa tudo correu bem. 
Fiz um almoço delícia,  um pão delícia, um café delícia. 
Antônio ficou na cozinha enquanto eu cozinhava, cozinhando comidas de massinha. 
De tarde fomos os três pra casa paroquial, eu trabalhei bem enquanto Antônio brincou bem, dormiu lá também por uma hora. 
De noite, as sete, voltamos e mais brincadeira, mas não participei porque estava com mais dor. 
A posição de dirigir na Brasília favorece a dor. Era a mesma coisa no palio. O fusca não dói nada. Mas não está operacional. 
Fiz compressa de agua quente na região da hérnia de disco, e para minha surpresa após o banho passei a sentir muito menos dor. 
Crise de hérnia de disco tem disso, as vezes. Aparece de repente, some de repente. Claro q não é um sumiço. É uma diminuição bem intensa. 
Existe uma dor basal que fica acompanhando o tempo todo... 
Mas se aqui em casa foi sossegado, em Brasília o negocio pegou fogo. 
Sérgio Moro, um juiz pra lá de controverso que havia se tornado ministro da justiça pediu demissão. 
O homem era mais popular que o jair, do mesmo jeito que o mandetta, demitido por jair semana passada, também era.
O governo está ruindo rápido. 
Difícil não comemorar, bem como não temer, afinal o vice é um general que apóia o regime de 64 etc. 
Mas ver jair mais e mais isolado dá  uma certa esperança esquisita de mudança. 
A coisa foi tão grave pra imagem do governo que a demissão tendo sido as 11, as 17 houve uma coletiva de imprensa na qual jair deu mil justificativas, todas sem pé nem cabeça. 
A noite, quase dormindo, uma bad passageira na qual a sigla da doença ao lado de mim mesmo ou do Antônio ou da Gisele tossindo. 
Mas espantei escrevendo isso aqui! 
E tô indo dormir com esperança renovada. 
O governo não tem sustentação, mas eu tenho. E vou fincar pré em minharesolução de não pegar esse trem por risco. Só mesmo por azar. 
Mas o importante é que hoje estamos bem. Nenhum sinal de nada. 
E amanhã já vem raiando..  
Duas atividades ontem:
Sentir dor e suas respectivas ações de manejo (gelo, água quente, alongamento, dipirona) 
Tradução. 

Wednesday, April 22, 2020

Plantando tomates com choques na coxa esquerda.

Acordei cedo pra cumprir o combinado com o Antonio ontem.
Plantar tomates nos vasos.

Separei a terra, misturei com palha, separamos as mudas nos vasos originais - umas 8.

Coloca terra, poe a muda, poe o tomateiro, poe mais terra. Pronto.

Ele se confunde um pouco entre não querer sujar as mãos e querer espalhar terra. Até que surge uma minhoca, grávida inclusive. Mostro pra ele os ovos em formação.

Ele pega a minhoca.

"É macia!"

Depois a pomos no vaso e ela vai se enterrando lentamente...

"Adeus, amiga minhoca! Adeus minhoca! Come seu papá"

E joga mais palha.

Separamos também as três mudas de taioba, já formadas, e replantamos na tina na qual ele tomava banho quando menor. Era uma banheira, depois esta tina, hoje em dia é no chuveiro.

Também plantamos jilós e uma das comidas preferidas - já que ele pede toda hora... - berinjela.

Jilós e berinjelas ficam um por vaso, o vaso em meia lua, duas meias luas se equilibram e ao mesmo tempo têm um efeito decorativo e as raízes não sinalizam entre si para se inibirem, pois estão separadas...

Para finalizar, as duas mudas de cebolinha remanescentes entre as taiobas.

Hora de limpar tudo, tirar a terra, tomar banho, trocar de roupa.

Hora do papai trabalhar. Quanto choro...!

Venho para aqui, trabalho, volto pra casa. Faço pizza, a tão desejada pizza, amada de todas as nações da terra. Ele come três fatias.

Mais tarde, deitamos juntos, ficamos nos olhando, meio adormecidos. Ele dorme primeiro. Quando o toco, acorda, então preciso andar com ele no colo pela sala enquanto rezo o terço e depois o depositar, com cuidado, em sua caminha, por volta de 0:20.

Desde ontem, o nervo ciático está dando choques. Peço exercícios de descompressão e alongamento, que são passados com carinho pela prima fisioterapeuta, pelo whatsapp.

Os faço, e dão realmente alívio. Enfrento as crises, em geral, com coragem e sem remédios, posto que no fundo os remédios não adiantam muito. O que adianta mesmo é passar o tempo e umas compressas de gelo, de água quente etc.

Sim, tenho hérnias de disco. Duas. E um abaulamento, e um pequeno bico de papagaio. Tão pequeno que deve ser de periquito australiano, no máximo.

Me assento no computador e constato que instalar o idioma e teclado gregos não soluciona o problema dos diacríticos de aspiração das vogais iniciais. O Windows é mesmo uma piada, e a página da Microsoft, que fabrica o negócio, não sabe resolver. Nem mesmo a ajuda em grego traz solução. No fim, uma informação de um usuário que, como eu, digita em grego no windows: "É um bug!"

Que bom. que previsível.

Penso longamente no Dr Tedros e seu anúncio, hoje, que a pandemia há de durar muito. Penso no que isto significa.

Penso no fato de o Sars-Cov-2 ter sido classificado pela comissão internacional de vírus como uma estirpe do Sars-Cov, da Epidemia de 2002. Não é uma nova espécie. Porque não há vacina para o Sars-Cov?

Percebo que é por falta de interesse econômico. O Sars-Cov original é transmissível (ou era) numa taxa muito menor que esta nova estirpe. Isto significou, à época, que os surtos foram controlados com medidas restritivas e, embora a mortalidade fosse bastante alta (cerca de 20%), depois de 5 ou 6 anos do fim da epidemia nos países que têm condição de fabricar uma vacina segura, que são os ricos, todos já tinham se esquecido dos rostos dos mortos.

Em 2016, quando a vacina chegou à fase de testes, cortaram o financiamento da mesma por falta de interesse econômico. Certo, a doença é realmente terrível e mata muita gente, mas porque investir alguns milhões de dólares nos ensaios da mesma se a transmissão pode ser mitigada com ações "mais baratas", como pequenas quarentenas locais ou municipais?

Então veio o Cov-2. Uma estirpe, uma mutação levemente diferente, que fez o vírus mais eficiente em trasmissão. Lógico, são mutações de viri de morcegos, com passagens, no caso do Cov, pelas civetas; e do Cov-2 pelos pangolins ou algum outro animal. A alta mutabilidade dos coronavirus dos morcegos ferradura não mudou, nem mudou o tráfico de animais silvestres, nem o desmatamento, nem nossa relação com o meio ambiente a partir da epidemia de 2002.

Agora correm feito loucos atrás de uma vacina, praticamente do zero, a não ser no caso de Israel, que está adaptando uma vacina para coronavirus aviário; e do mesmo instituto que em 2016 perdeu o financiamento para a vacina da sars, já tendo reconstruídos os passos e estando de novo no mesmo estádio que estava antes da perda do tal financiamento.

No mundo, mais de uma centena de vacinas em pesquisa. Delas, talvez 10% se provem minimamente eficazes. A chance de uma delas ser viável (isto é, segura, eficiente, barata, acessível e com possibilidade de produção em larguíssima escala) é de cerca de 1%, para o próximo ano ou ano e meio.

Se a vacina do Sars tivesse sido ensaiada, aprimorada, talvez estivesse disponível, e talvez inclusive fosse capaz de imunizar as duas estirpes. Uma vez que as duas estirpes são 80% ou mais semelhantes, então se as partes selecionadas pra se fazer a vacina fossem umas destas dos 80%... a covid-19 nunca teria se tornado um problema tão sério.

Penso no estresse de lavar os hortifruti. Se cada um plantasse tomates e berinjelas e jilós, cebolinhas e taiobas, laranjas e amoras e bananas (este ainda é um plano, exceto a banana tudo já está plantado)... acaso não haveria menos necessidade de comprar, mais segurança de se saber que é orgânico, mais prazer em ver crescer a própria comida, mais lógica em comer, de graça, o que a natureza dá... de graça?

Porque tanto pingo de ouro separando os terrenos, mas nenhum brócolis? Porque pata-de-vaca e quaresmeira, mas nenhuma amoreira ou macieira? Porque nosso modelo de habitação não inclui a obviedade de segurança alimentar, que não é algo tão complicado assim?

Porque todo mundo desesperado para trabalhar pros patrões de novo, e poder ir nas lojas, e poder... mas ninguém pensando que tem direito a ter o básico garantido pelo Estado?

Quando o dinheiro se tornou algo tão fundamental que nos fez esquecer a vida?

Não quero voltar pro mundo antes da pandemia. Não quero meeeeeixxxxxmo.

Quero mais tomateiros, e uma bananeira nanica, e couve e brócolis, e comer dos primeiros morangos que ainda virão, e muitos, pois o morangueiro se espalha agora pra casa do vizinho, sorrateiro, entre os malditos pingos de ouro.

Quero vida de verdade, com meu filho colhendo, de graça, a plantinha que plantamos de graça com as sementes que vieram de graça.

Quero um mundo de verdade, onde a saúde é colocada acima do dinheiro. Ora, o virus de morcegos seguiu existindo, todos SABIAM que um dia ele iria fazer o salto entre espécies de novo, e todos torciam para que fosse algo mais brando que a Sars, porque no fim torcer para algo mais brando é mais barato que fazer vacina pra uma doença que pode ser controlada de outros jeitos etc etc. A mesma lógica é aplicada pro Dengue. Não que não devamos tirar água dos pratinhos e tudo o mais, mas enquanto o Dengue for um vírus de país pobre, não vai ter vacina nunca. Quando invadir a Espanha, aí sim vamos ter a vacina maior rápido!

Eu tenho esperança no mundo melhor que pode brotar dessas sementes dos frutos podres do mundo que passou.

Toda relação com o mundo tem sementes. Sementes que podem ser de esperança, de conformidade ou de mudança. Eu já plantei as minhas. Meus tomates, em breve, estarão mudados para sempre.

E os seus?

Tuesday, April 21, 2020

fazia tempo que eu não via o Eduardo.

Um dia com promessa de stress. Esta foi minha impressão ao acordar. 
Pedi itens ao telefone, antialergicos na farmacia, óleo de rícino para o cabelo, frango e carne moída no açougue, ovos e tomate e queijo  no mercado (para enfim fazer a pizza que desejamos há 35 dias). 
Fiquei pensando em como seria chato lavar tudo. 
Montei uma estação de limpeza. Um balde de 18 litros,  com 10 de água e 270 ml de água sanitária e 50 de detergente, e a medida que as coisas  fossem chegando eu ia lavando e pá. 5 minutos  no balde, enxaguar em água corrente um a um, guardar tudo. Sem erro. Estresse controlado, planejado, viável. 
Elas foram chegando e foram sendo lavadas, e o almoço foi comido, o jantar feito antes das 14:00, junto com um bolo formigueiro (primeiro q fiz na vida, passou um pouco o tempo de forno mas ficou muito bom), hora de trabalhar. 
Notícia excelente pelo app do governo, meu auxílio emergencial saiu, o que significa um respiro  e tanto a mais. Da pra pagar quase tudo em dia agora, que luxo. 
Fui sozinho pra casa paroquial, Gisele ficou com Antônio, que dormia, esperando o mercado de queijos e tomates e ovos,  que eventualmente chegou e ficou lá na estação de limpeza. 
Mexi no computador que peguei para trabalhar no lugar do meu, que queimou a placa mãe. Um computador um pouco mais velho, mas ainda muito funcional.
Este é um pouco mais novo, mas menos funcional (te peguei!) :tem Windows. 
Depois que a gente aprende a mexer no Linux direito, ou no Mac OS pro gasto, passa a detestar o Windows. É lento, trava, exige uma memória descomunal, tudo é difícil de configurar, tem uns wizard que atrapalham muito configurações manuais.
Lógico, é a opinião de quem detesta automatismos ou precisa contornar os mesmos. 
No meu caso, preciso de teclados e exibição em grego e hebraico, além do português, pra conseguir trabalhar. E todos estes teclados devem ser configurados em alternância rápida para viabilizar trocar o idioma de digitação em um clique, o que o Windows não fazer sem um pacote de idiomas extra instalado. Até aí tudo bem. 
O problema é que ele exige o upgrade de uma série de outros componentes virtuais para os instalar. E para os instalar exige update do Windows sei lá o que. 
Sistemas Windows parecem não funcionar segundo a lógica de árvore de dependência. Parece q é um novelo onde tudo depende de tudo, e qualquer mínima alteração podem comprometer a viabilidade de trabalhar nele. Além dos arquivos que precisam ser baixados em cada uma destas atualizações de sistema serem muito pesados. Enfim, viva o Ubuntu. Mas não posso instalar Ubuntu nesse computador, a princípio... 
Depois de brigar com a maquina por um bom período da tarde, quando a estava desligando me liga minha irmã.
"meu carro parou no meio da rua. Você tem aquele negocio de ligar um carro no outro de bateria? "
Lógico q tenho. Item obrigatório pra quem tem carro velho. 
Lá fui eu em uma Brasília 75 fazer partida de emergência num etios 2014.
Minha irmã (esta , das 5) é médica. Tinha ido aferir pressão e glicose dos nossos pais, e a propósito tudo está bem.
Na bateria do etios, zinabre. Além disto, o cabo de partida de emergência estava no fusca e não na Brasília,  já eram 7 da noite e achamos melhor deixar o carro a noite na garagem. 
Eu estava sem máscara...  Não sai pra  ir à rua a princípio, não levei. 
Então peguei a camisa, fiz uma máscara, que até cobriu bem todo o rosto. 
E empurramos. 
Depois ela entrou na Brasília, abrimos os vidros e fui levar ela em casa.
No caminho, para cortar caminho, uma passagem por dentro do condomínio de outras pessoas. 
E lá estava eu, sem camisa com uma máscara parecendo aqueles revoltosos em penitenciária atravessando o condomínio. 
Mas o vigia, o Eduardo, me reconheceu. Ou reconheceu a Brasília.
E ficou ela em casa, que é perto da minha, e eu vim e tomei banho lavei ovos e queijos e tomates e jantei e dei jantar e banho e escova dentes e dormir e o menino não dormiu pelo menos até as 0:00 e vim pra sala porque ele começou a chutar e disse q os amigos saem de perto se a gente  bate neles. 
E o que era pra ser uma distância pedagógica de 5 minutos resultou em eu acordar perplexo as 4:30 e ver q ele dormiu também.
Deitei na cama.  Fiz uma retrospectiva de um dia de aventura. 
E conclui, antes de apagar de novo até as 8:50 : 
Fazia um tempo que eu não via o Eduardo. 

Sunday, April 19, 2020

celular velho

Ontem tive reunião no zoom. 
Toda vez que preciso usar o zoom no celular, preciso  desinstalar algo porque ele não aguenta. 
Então desinstalei o Blogger e o app do Bradesco. 
Foi uma boa reunião. 
A tarde coloquei a secadora lá fora, a cozinha ficou parecendo imensa. 
Depois fui comprar máscaras de um amigo, já que a partir de amanhã serão obrigatórias em juiz de fora. 
Hoje acordei tarde, muito tarde, às dez. 
Eu e Antônio fizemos almoço (ele realmente colocou arroz, água, tempero e óleo na panela elétrica e ligou, todo concentrado) e à tarde, pão (e ele realmente amassou o pão,  moldou etc). 
No fim da tarde, ele chorou muito pra sair um pouco, então como a rua  estava vazia, ele se sentou na bicicleta e eu o empurrei por dois quarteirões, ele ficou muito feliz. 
Cruzamos com pessoas e mantive uma distância de dois metros ou mais. Foi seguro. Foi possível. 
Fico as vezes pensando nos "e se...". 
Hoje pensei um pouco neles, agora à noite mais ainda. 
E se Antônio precisar ir no medico por alguma diarréia? E se eu tiver dor de dente? E se a Gisele ou eu ficarmos com covid? 
Tudo isto é bem assustador... 
Aí eu lembro que não há diarreia, não há dor de dente, não há covid por enquanto... 
O agora tem um poder avassalador sobre nosso delírio existencial. 
Esse delírio é o lugar onde moram nossas crenças sobre a gente, os demônios, tudo fruto de uma auto mitologia sobre nossas próprias vivências passadas. 
O problema é quando elas tomam o lugar do presente. 
Agora a noite, soube que uma amiga está com alguns sintomas mas não tem como pagar o teste por fora nem fazer na rede pública porque não está grave. 
Me propus a ajudar, pois o resultado, seja o que for, a colocaria no agora, no presente. Não saber se está  a permite sentir o sintoma típico até mesmo se não estiver com o sars-cov 2.
O não saber de si no aqui e agora é a origem do desconforto emocional, sempre...  
Assim penso, e num desafio à disposição de ficar acordado por horas, durmo... 

Friday, April 17, 2020

sobre a fazenda de mofo

Um dos motivos que fez a gente "fugir" de casa é o forte cheiro de guardado que ela tem. 

Temos livros. Muitos. 
O meu filho de dois anos e oito meses, computados hoje, deve ter mais de 50.
Ao todo, devemos cerca de 500, dos quais uns 400 estão aqui. Quando casamos, não pudemos trazer todos porque não cabia. Ficaram livros meus na casa de minha mãe e da minha esposa na de minha sogra. Um dia os resgataremos. 

Nossa sala tem 7x3 metros, e dividindo ela em 2 ambientes tem uma estante de nichos,  com os tais trezentos livros. 

Talvez não sejam trezentos, é um valor meio chutado. De qualquer jeito, em breve saberemos...mais alguns dias e todos serão manipulados, um a um.

Nosso espaço pra secar roupa é aberto, pra bater sol, e fica pra lá da sala. Tem uma cozinha de 3x3 metros, com uma parede quase toda de vidro de um lado (é uma varanda com uma porta de correr de 2,2 metros de altura, entenda-se),e esta porta da pra área. 

Quando chove, colocamos a roupa pra secar em uma secadora tipo tambor, na cozinha. Isso eleva a umidade da casa. 

Moramos em juiz de fora. 
Um casa sem ventilação excelente (por algum motivo, ela foi construída com essas janelas de correr que abrem vãos de 50 cm e estamos sem poder abrir as portas, da frente pela pandemia, de trás pra evitar o dengue...) em juiz de fora, cheia de livros e com a umidade alta mofa. 

Ponto. Simples assim. 

Já pensei em parar de secar roupa e usar todas molhadas ou jogar os livros fora (essa de maneira mais seria e mais de uma vez, escanearia todos  e depois jogava fora) ou ainda em fazer uma cobertura lá fora, mas nunca tinha feito. 

O cheiro de guardado faz tossir,  espirrar, e ficar achando que tá morrendo de covid, olhando a avaliação do coronaBR etc. 

Daí ontem eu não fui trabalhar de tarde não. Não com o livro que estou a traduzir... 

Pegamos uma fita métrica, tiramos umas medidas, e arrumamos um jeito de a secadora ir pro lado de fora da casa. Como chove ali, e tirar a roupa seca debaixo da chuva causa molhamento  dessa mesma roupa, virei hoje o toldo retrátil ali de fora de sentido. Ele cobria o centro da área pra poder secar alguma coisinha e tal, agora foi emendado (costurado com linha 10, essa de empinar pipa)  numa napa  antiga que cobria uma cabeceira que nos mesmos fizemos com uma porta e cobre 60-70 de toda a área. 

A cabeceira de porta existia sem uso há um ano e meio ou mais,  desde que compramos a cama nova, pois a antiga...  Mofava. 

Para a fazer,  tiramos a porta do banheiro, colocamos uma sanfonada, e cobrimos a convencional que havia lá com um pouco de espuma e uma napa que compramos numa loja onde o dono conhecia meu avô! Imagina q homem velhinho, posto q meu pai já tem 89 anos...  Tinha uns 95, e inclusive  e infelizmente já faleceu.

Ontem desfiz a cabeceira, pus a porta no lugar, tirei a sanfonada, cobrimos a porta de papel contact que existia aqui e ficou parecendo nova. 

Hoje costurei a napa na lona do toldo e o inverti, tendo a certeza de que quem o fabrica nunca precisou montar, pois a mola é algo enjoado de colocar na posição. 

E... 

Amanhã é limpar tudo ali fora, por a secadora e ver se a umidade minorada, aliada à limpeza de todos os livros, um a um (enfim saberemos quantos são!) e mais aquela passada de água sanitária beeeem diluída com detergente nas paredes, estantes etc vai melhorar o ar aqui dentro. 

Ou se o caso é mesmo de tirar os livros pra arejar um pouco a casa.

Ou fazer uma porta de tela pra poder abrir a porta da cozinha e arejar bem a casa. 

Ou tudo isto. 

Quem não entende que mexer na casa é mexer em si não percebe que casa parada cria mofo, e a gente parado cria medo. 

Areje-se, ensolare-se, recrie-se. 

Afinal,  a vida é bela.  

Thursday, April 16, 2020

o ministro da saúde caiu: dane-se...

Embora a demissão do ministro Mandetta, privatista que nos últimos meses vimos defendendo o sus e Bolsonarista que vimos divergir abertamente de Jair no manejo da crise,  traga preocupação no que diz respeito a manutenção da sociedade, e me deixe apreensivo de precisar ficar de cortinas fechadas para não ver os corpos dos vizinhos nas calçadas, na verdade... 
Bem, na verdade afeta a mim e a quem realmente é e está em isolamento ou quarentena muito pouco. 
Fiquem tranquilos. 
O stf já determinou que entes federados podem decretar calamidade e quarentena por si mesmos, então o que se torna mais importante é a opinião do prefeito. 
E ele é muito mais fácil de pressionar. 
Claro, todos queremos a cura e a vacina, torcemos para que se encontre rápido etc. 
Mas o horizonte que fica cada vez mais distinguivel é de mortes em breve, e muitas. 
Neste sentido e por isto, mesmo se o novo ministro e jair resolverem se empedernir e abrir tudo, os governadores e prefeitos podem simplesmente fechar. 
E,  nas cidades onde se abrir, se houver contaminados vai haver um estouro de mortes em breve. 
Jair perderá a pouca sustentação que ainda tem  em breve, pois o pacto federativo não suportará uma distância cada vez mais nítida entre Brasília e a vida real. 
Aí ele cai. 
Ou, em outra opção, o vírus muta, fica mansinho. Ou muta e mata mais. Ou descobrem uma vacina do nada. Ou um remédio. Enfim, num desses improváveis acontecimentos o provável erro de abertura que, se tomado, não faria a menor diferença na vida do cidadão brasileiro,  custará no mínimo a reeleição, pois já que Bolsonaro não manda mais nada, pra que tirar ele de lá? Deixa lá ele se queimar até o fim, os partidários dele vão  pra rua, abrem comércios de suas cidades e o escambau. 
E morrem de covid ou linchados. 
E aí Bolsonaro não ganha nunca mais, porque ganhou apertado, já perdeu parte do apoio e com a morte de mais uns 5-10% do eleitorado dele, aí que não volta mesmo. 
Ou seja,  dane-se. 
Deixa esse ministro falar o que quiser aí nos próximos  dias (por enquanto nem fez nada,  coitado) e se tudo abrir, vou continuar em quarentena. 
Minha quarentena sempre foi voluntária. 
Quero continuar em quarentena até que tudo se resolva de qualquer modo que signifique não haver mais risco.
O resto...  O resto que se dane, nunca me importei de ser um vizinho amado por todos  e não vai ser agora que vou entrar nesse surto. 

Wednesday, April 15, 2020

o Rosário

Quando o bispo, há cerca de dois anos, me enviou um link sobre um tal Rosário anglicano, quase dei um chilique. 
Falei que não queria saber daquilo, que era uma bobagem etc. 
Como a vida é tecida de ironias, acabei descobrindo, ao longo do meu aprendizado de mindfullness (sou um praticante meia boca, confesso) que o terço, esse latino de 150 contas pequenas, é algo fascinante. 
Não que eu nunca tivesse rezado um terço na vida. Rezei muitos. 
Achava até que estava "livre". 
Mas nunca gostei de terço. Porque tem de parar um tempo da vida pra isso e tal.
O que eu descobri é que o terço proporciona um objeto ritual interessante, com uma textura interessante, um movimento estereotipado interessante e uma respiração ritmada interessante, ao longo das "rezas"  de aves Marias ou de repetições de trechos da Bíblia ou  de qualquer coisa que sirva como oração. 
Hare Krishna pra uns 
Jesus filho de Deus vivo pra outros 
Aves Marias para a maioria. 
Você vai ali movimentando o objeto, sentindo as contas ou nozinhos e, quando da por si, tirou 5 minutos pra respirar pausadamente. 
Hoje em dia, pra pagar a língua, rezo o terço todo dia. 
Deixo pra vc o convite. 
Conheça uma modalidade de colar de contas de oração. O terço latino, o Rosário anglicano, o terço bizantino, o kombuskini, o terço budista, o terço muçulmano... E reze nele algo q te traga memórias ou esperanças boas. 
Pode ser "desejo a paz de todos" ou "estou no mundo porque minha mãe me amou"  ou qualquer oração do seu credo. 
Quem sabe não se torna um jeito fácil e viável de enfrentar os dias mais agitados, quando a gente não consegue parar? 
Comente aí se quiser tentar mas não tiver o objeto, que lhe ensino a fazer um com qualquer cordão, linha ou barbante,  e se não tiver cordão, ensino a tecer um também. 
Beijos de luz entre aves Marias.. 

Tuesday, April 14, 2020

estou feliz.

- O papai, o papaiê!
Entre massinhas, formas de massinhas uma de cada cor, escuto o chamado insistente. 
Vai dizer que sente saudade da escola, e pedir pra sair na rua e dizer que quer ir na vovó. 
Vai falar que está entediado, incomodado. 
Vai dizer que tem dor de garganta e tossir. 
Ah meu Deus, o que será que está por vir? Coragem. Você é pai! Seja o que vier, você tem obrigação de estar presente! 
- Oi filho. Você quer falar uma coisa? Pode falar. 
- Qué falá. 
- Fala, amorzinho.
- Eu tô feliz. 
E o dia, por conta desta informação às 9:00, foi ótimo.  

Monday, April 13, 2020

Sorria, você é desnecessárie.

As instruções sobre a quarentena são claras:

Só devem sair de casa para o trabalho os  trabalhadores de primeira necessidade, os realmente necessários durante este período de ameaça à vida e que não podem prestar seus serviços à distância. 

São eles:
Os de saúde, humana e animal ; 
Os de segurança pública: 
Os de alimentação;  e
Os de manutenção de infraestrutura básica.
 
Se você não é nenhum desses, você é desnecessário. 

Fiquei pensando em mim mesmo,  e contemplando minha inecessidade.

E cheguei à conclusão de que sim, neste contexto sou absolutamente desnecessário. 

Claro que não estou falando de mim como tradutor, afinal não saio de casa pra traduzir e já trabalhava de home/church office antes, mas me imaginando como professor ou líder religioso. 

Não vou salvar ninguém se sair daqui, convidado que precisaria ser (não estava dando aula em lugar nenhum, me contratem depois da pandemia!),  pra ensinar teologias das religiões ou noções de diálogo interreligioso ou liturgia.  Ou ainda, não adiantaria de nada mesmo eu abrir a capela amanhã a noite e fazer um culto bem bonito. 

Também não há necessidade de pintar uma parede no meio dessa zoa toda, a não ser que seja pra ela não mofar. Ou não há necessidade de cortar cabelo, pintar unha, vender roupa ou comprar roupa. 

Não há. 

A necessidade, em tempos de calamidade , é reduzida a comida, abrigo e saúde. 

Isto me pôs a pensar além...  E em tempos não calamitosos...? O que é realmente necessário? Acaso não são as mesmas coisas? 

Assim, minha cabeça hoje tem um nó : será que na verdade o ciclo de calamidades e quarentenas a elas associadas não servem para que a gente perceba o que é necessário e saia da quarentena pra vida quotidiana buscando novos jeitos de se relacionar com o mundo, colocando a necessidade como algo acima do supérfluo? 

Não é verdade que os recentes surtos de coronaviroses, a saber sars, mers e covid, bem como outras viroses como ebola, magdeburg, etc surgiram devido à invasão humana de florestas, possibilitando o trânsito entre espécies, associado à nossa grande mobilidade? 

Se não houvesse demanda por produtos amplamente desnecessários advindo de exploração florestal como carne de caça, madeira de lei (não existe nada necessário a que não possa ser feito de eucalipto e pinus), carnes aos montes justificando formação de novos pastos... Haveria essa proximidade? 

Se as pessoas tivessem garantidas suas necessidades básicas mediante a distribuição de riquezas,  acaso elas precisariam se lançar neste mundo tão perigoso da rede de tráfico de espécies? 

O medo da quarentena parece ter sua origem no medo do retorno ao necessário, ao "garantivel" pelos Estados modernos, pelo menos em suas constituições ... Mas também... 

É medo da necessidade de trabalhar melhor as relações intra e interpessoais, a percepção de si mesmo e do imediatamente próximo, num movimento excêntrico em direção às casas mais próximas, à quadra, rua, bairro, zona, cidade etc etc., mas centrada em mim : o que de mim é necessário e o que é supérfluo? 

Que jeitos de me relacionar com os outros são necessários, quais não são? 

É só atendendo essa urgência de sorrir pra si mesmo ao se perceber que há em nós muito desnecessário que a valorização do necessário, penso, aumentará. 

Daí, a relação com o outro deixará de ser de consumo do outro para me satisfazer, com a escola não mais de querer um produto (o conteúdo), mas de um local de formação de pessoas adultas cientes da escala de prioridades, da vizinhança como uma teia de trocas possíveis e não como incômodos... 

Aí sim nossas desnecessárias profissões farão todo o sentido e se farão necessárias, porque estarão tangidas pelo aspecto de necessidades de promoção de necessários, e não de alimentação de consumo desenfreado de si, do outro, da comunidade, da sociedade, das outras espécies  animais, da natureza, do Cosmo. 

Estaremos a serviço, e não mais nos servindo. 

Talvez você seja, como eu,  desnecessárix. 

Você já consegue sorrir só de pensar em quanto essenciais seremos, se a relação for posta acima do ego? 

Comece agora. Inventarie-se, inventarie suas necessidades imediatas, inventarie o que precisa pra quarentenar... Vivamos. 

Sorria, você é desnecessárie. 


A vida é muito, muito bela

Você já deve ter visto este filme, "a vida é bela". 
Se não viu, vale a pena ver. 
É a história de um judeu que é enviado com seu filho ao campo de concentração durante a segunda guerra mundial e faz de tudo para que o menino consiga passar por tudo aquilo com o máximo de leveza possível. 
Em geral, quem assiste o filme fica tão impressionado com o plano de frente da história, o pai e seu filho, que não percebe as camadas posteriores do enredo. 
Além da dupla, há o próprio campo, com os horrores próprios do campo. Por trás do campo, o horror de um país onde o campo está, e que está arrasado pela guerra. Por trás do país, a guerra. Por trás da guerra, a sociedade européia em suas tensões pré 1939.
Mas a camada mais profunda do enredo é a que realmente importa.
É  a vida, que é...  bela. 
A vida não é a circunstância em que se vive, mas a capacidade de superar a experiência da finitude. 
A vida é bela por que a vida do personagem do filme é a relação que ele trava com o filho. 
É a sensação dos cabelos do filho entre os dedos.
É o sorriso daquela criança. 
É a certeza de que tudo aquilo iria passar, e o pai queria que seu filho estivesse pronto para desfrutar. 
A vida, assim, é muito, muito bela. 
Neste domingo de Páscoa, despertei para a beleza inegável da vida, que mora entre meus dedos e o violão, também na conversa até alta madrugada com a esposa, no abraço do Antônio, na água que desce preguiçosa pelos telhados, nas plantas que florescem, em casa. 
Minha casa é o melhor lugar do mundo, e não estou preso aqui. 
Estou seguro vivendo a beleza da vida, que é inegável, mas escapa aos olhos desatentos do desespero. 
Boa Páscoa, dias bonitos virão, porque a beleza da vida permanecerá disponível. 

Saturday, April 11, 2020

Um pensamento solto sobre esperança ao fim de uma semana difícil


Esta semana foi difícil pra mim.


Começou pelo Domingo de Ramos, e dei conta que nunca, em 30 anos ou mais dos meus 39, teve algum que eu não fui à igreja.


Depois veio a semana santa mesmo, especialmente a quinta, sexta e hoje, sábado.


Dei conta que é a primeira vez em 12 ou 15 anos em que não estou em alguma comunidade presidindo ao menos uma das celebrações da Páscoa, do Tríduo.


Faço isto de presidir celebrações desde que ainda era membro da igreja romana, feito “Ministro da Palavra”, depois de ter terminado a faculdade de Teologia. Algo como desde os 25 anos.

Depois, na igreja episcopal, fui feito ministro em Outubro de 2013, e passei para esta comunidade que escolhi em Junho ou Julho. Em Abril o Maio daquele 2013, embora no coração já distante da hierarquia romana, presidi comunidades na Páscoa, por senso comunitário, por cuidado, por entender ali uma necessidade ou sei lá. Talvez por narcisismo. O narcisismo é um traço bastante comum em lideranças comunitárias, mas mediado e trabalhado por um senso de serviço e excentricidade, colocando-se fora do centro e o bem comum naquele mesmo centro. Mas é evidente que a posição de “líder comunitário”, religioso ou não, tem a ver com ao menos admitir e em certo nível gostar de estar ali, aparecendo um pouco. Não vejo nisso um problema, quando posto a serviço. Na verdade, vejo como um traço necessário.


Voltando à vaca fria, uma semana difícil. Além destas memórias, as novas experiências de voltar pra casa em meio a toda a confusão que está o mundo, observar que ainda tem gente demais nas ruas, recalcular mantimentos e materiais para re-estocagem, fazer contas depois do anúncio do parcelamento de pagamentos por parte da editora... tudo muito exigente!


Hoje, lendo um post de Facebook de Sua Graça, o Arcebispo de Cantuária, um parágrafo do mesmo me despertou: “o mundo para o qual os discípulos despertaram no evento da ressurreição não era mais o mesmo, e não sabemos pelo que esperavam.”


Achei belo, e vou um pouco além neste ensaio breve, dizendo que nem sei se esperavam algo, e que não souberam todos ao mesmo tempo que o Cristo estava vivo.


A igreja, ao longo da história, toma o Sábado Santo romanticamente como o tempo “no qual os discípulos aguardam junto ao sepulcro pacientemente a ressurreição de Jesus.”


Mas os relatos do Evangelho não dizem isto. Se olharmos com atenção, e fizermos uma tabela cuidadosa, poderemos ver que as mulheres que foram ao túmulo de Jesus não estavam esperando encontrar outra coisa senão ele lá, mortíssimo. Queriam lavar o corpo dele, e inclusive carregavam materiais para tal.


O mesmo pode ser dito dos discípulos, um pouco mais tarde, que avisados pelas discípulas correm ao túmulo para conferir se o que elas disseram era verdade. Ora, se estivessem, estes discípulos ou discípulas, esperando que ele ressuscitasse, não teriam se assustado ou espantado ou corrido para contar uns e umas aos outrxs. Simplesmente fariam assim: “Ó, ressuscitou mesmo! Igualzinho estávamos esperando!”


Mas mesmo as discípulas, as primeiras a encontrar o túmulo vazio, perguntam “Onde está o corpo do Meu Senhor?”


A mesma falta de expectativa pode ser observada nos discípulos de Emaús, que caminham no Evangelho de Lucas de volta pra casa. Eles vão embora, não querem saber de mais nada, e recebem a visita de Jesus que lhes explica que “era necessário que o Filho do Homem passasse por tudo aquilo para entrar em sua glória.” Eles entendem, talvez acreditam, sentem mesmo o coração arder... mas continuam em frente, em fuga, sem expectativa ou esperança. Só quando a partilha do pão, por Jesus, acontece, é que “seus olhos se abriram e eles reconheceram Jesus, dizendo um ao outro: ‘É o Senhor!’”... E voltam a Jerusalém, onde descobrem que Jesus estava vivo e tinha aparecido a Cefas (Pedro) e alguns dos discípulos.


Mas foram apenas alguns. Uma semana depois, pela cronologia agora de João (sim, estou fazendo um exercício de ajustar as cronologias, algo em desuso e chamado de “concordância evangélica”, mas que aqui e feito com cuidado tem seu valor) Jesus aparece a Tomé, que não acreditava, ainda, que Ele tivesse ressuscitado, e põe o dedo nas chagas, e se convence.


O ciclo das experiências de convencimento da ressurreição pelos discípulos mais íntimos, os Doze os Os Apóstolos, se encerra aí em Tomé no Evangelho de João em uma primeira leitura, embora o capítulo 21, se considerado em continuidade com a narrativa da negação de Pedro apague aquela fogueira da negação e ponha sobre ela brasa e peixe preparado (passou-se um tempo daquele fogaréu medroso de Pedro, digamos assim) para enfim este passar a perceber, ao lado do Discípulo Amado com o qual é colocado em contraste desde o capítulo 13, que Jesus não só ressuscitou, como ele sabia, mas que VOLTAR ATRÁS NÃO ERA POSSÍVEL.


A última aparição do ressuscitado, que em João se dá até mesmo depois da recepção do Espírito Santo, ou Pentecostes se assim quisermos dizer, é a tomada de consciência dos dois discípulos que textualmente representam as duas principais vertentes da igreja da época, de que voltar atrás não é possível, e nem fazer o caminho do outro é possível. Pedro precisa seguir em frente, sair de perto da fogueira da negação de que conhece Jesus e será fiel até o fim, enquanto o Discípulo Amado, tentado a fazer o mesmo caminho de Pedro, é alertado: “que te importa que eu queira que caminhos daqui em diante sejam diferentes?”


A Tradição ensina que os Apóstolos se dispersaram, à exceção de Tiago, que permaneceu em Jerusalém, mas vivendo de um jeito novo. A carta de Tiago é direcionada a toda a Diáspora Judia, e as pregações até o terceiro século do cristianismo sobre Tiago o têm como O Pilar da igreja oriental, além de sua carta manter viva e propor novos ensaios do gênero literário usado por Jesus, as parábolas, e inclusive é o único escrito do Novo Testamento que traz parábolas diferentes das de Jesus: Tiago, embora por alguém de má vontade possa dizer que ficou no mesmo lugar, passa a agir como líder jesuânico, escrevendo como Jesus escrevia, e se dirigindo a todo o Povo de Deus representado por Toda a Diáspora.


A vida nunca mais foi a mesma depois daquela sexta feira.


A experiência dos discípulos imediatos de Jesus não foi de esperar que Ele ressuscitasse, mas de compreender gradualmente a partir do anúncio que ele tinha saído daquele túmulo que Ele andava agora pelo mundo de uma maneira nova.


É muito infantil de nossa parte, agora que experimentamos o terror das mortes incontáveis, da desconfiança em relação aos vizinhos com quem anteriormente eu amava brincar, da impossibilidade de irmos às casas de nossos pais, de fazer contas de centavos e ter de decidir o que vamos parar de pagar, de entreter os filhos, de olhar as favelas e comunidades e perceber o quanto nossa omissão enquanto sociedade os condenou, desde sempre, à calamidade que se avizinha, os nossos fracos desgovernantes, o pavor de talvez termos de olhar pela janela o cadáver de vizinhos nas calçadas, o medo de se pensar no respirador, o horror a cada tosse por alergia ou rinite...


Não seria muita estupidez querermos voltar ao mundo e ao tipo de vida que nos trouxe exatamente a este desafio?


É preferível pensar que, como diz a bonita oração de pós comunhão do LOC 2015, aqui adaptada, lágrimas terão fim, toda pergunta terá resposta, pedras serão retiradas do caminho e um Novo Mundo será possível.


A nós caberá a tarefa, após a comunhão no cálice do Senhor por nós, que somos seu Corpo, a de ir às esquinas e beiras de caminho da Galiléia, das muitas Galiléias, anunciando que a vida nova nos precedeu e já está ali, feita semente, no meio daquela dor da ruptura e da germinação, da tranformação própria de vir-a-ser da semente, do parto de um Novo Modo de Ser.


Teremos pedras para tirar, lágrimas a enxugar, perguntas a responder, um jeito novo de caminhar.

Se não quisermos fazer a experiência de não saber o que fazer, se nos negarmos a experiência dos primeiros discípulos de nos sentirmos perdidos, de ter medo, de não ter nenhuma perspectiva de continuidade, não poderemos ser surpreendidos, como eles foram, pela notícia da ressurreição.


É preciso, desde já, nos comprometermos, em meio às dores de percebermos as injustiças e inquidades que nos trouxeram até esta esquina e beira de caminho, a mudar estas mesmas iniqüidades e injustiças. É preciso saber que ELE NOS PRECEDE!


Esta fala colocada na boca do Anjo e dentro do Túmulo, em Marcos, é claramente para a Igreja que veio imediatamente depois: Olha, vocês estão aí vivendo as perseguições do Império, sendo jogados aos leões, usados como tochas vivas e massacrados, mas em meio a esta dor de vocês todos agora serem excluídos da vida comum, está a vida verdadeira, a vida nova, a vida que não se acaba porque é capaz de se reinventar. Acreditem! Esperem! Tenham coragem de encarar a possibilidade de morrer de frente! Unam-se! Encoragem-se! Sejam solidários, comam juntos, coloquem suas coisas em comum, sustentem-se juntos, porque sozinhos não vão agüentar! Mas também não dêem bandeira construindo um templo enorme cheio de cristãos aglomerados, que aí é muito fácil de encontrar!

Cada um de vocês pode rezar em casa, cada um de vocês é sacerdote de sacerdotisa, cada um tenha certeza de que o que é importante de saber vai chegar a vocês por meio de cartas, ou de textos como este aqui...!


O novo que precisamos hoje, neste sentido, começa pelos velhos exercício de outrora, mas precisa, repito, precisa passar pela nossa falta de perspectiva. Ela é libertadora.


Então comece por se reinventar. Comece limpando o que você nunca limpou. Comece escrevendo um diário. Comece investindo nas suas relações dentro de casa. Comece se assumindo pra si mesmo, como é. Comece ligando pras pessoas (olha que beleza, na época de Marcos eles precisavam ver se por acaso aparecia, do nada, alguma carta de um tal de Paulo ou de pessoas que nunca viram pessoalmente...), comece sabendo que a vida não morre, ela só se reinventa.


Da mesma maneira que nos primeiros dias, a notícia e percepção da liberdade da vida nova virá aos poucos. Uns terão a graça de pegar e nem saber e ficar imunes, outros irão para uma cidade no Seridó e lá a vacina vai chegar antes da doença, outros se resguardarão em casa e conseguirão ser enfim imunizados relativamente pela imunização coletiva, que se Deus quiser vai levar um tempão porque estamos achatando a curva, outros se Encantarão pela doença atual ou outro motivo e viverão para sempre no meio de nós, feitos memória e saudade... mas a notícia virá, a cada um, a seu tempo. Todos gozaremos a possibilidade de viver de novo, normalmente, livremente.


Mas a pergunta é: Deste mundo libérrimo do qual sentimos saudade, o que era estrutura de morte e que precisa ser transformada em vida? Que tipo de vida viveremos no mundo, que talvez permaneça o mesmo? O que lutaremos para mudar? Quão forte é a vida que brota, tímida agora, de nossa experiência de espera paciente pelo tempo da semente?


Quem é você, afinal?


Alguém que sente falta dos chocolates ou alguém que espera ansiosx a Nova Vida do/no Senhor?


Neste Sábado de expectativa, espero contigo junto ao túmulo de tantas esperanças


Não tenhamos medo: elas ressurgirão, porque a Vida já nos precede, mesmo que só consigamos nos lembrar, como os nossos primeiros pais na fé, das imagens da Morte.

Porque Ele vive, podemos crer no Amanhã.

Friday, April 10, 2020

a solidão

Crianças de quatro famílias brincando, ruidosas, na rua. 
Vinte infecções (ou mais) em potencial.
É extremamente solitário e estressante ser cientista num país onde falta ensino básico de qualidade. 
Se as pessoas conseguissem compreender como funciona uma infecção viral ;
Ou a história das epidemias no Brasil;
Ou estatística rudimentar... 
Estariam en casa. 
Que triste. 

Thursday, April 9, 2020

danças na sala

Antônio entrou em casa ontem e cumprimentou os brinquedos, ligou o rádio e começou a dançar cantarolando músicas da Taylor Swift. 
Hoje brincou muito com suas panelinhas, carrinhos, bicicleta. 
Comeu tudo, com apetite, no almoço e jantar. 
Deus tetê de imaginação para seus coelhos de pelúcia. 
A tarde, dormimos os três. Muito. De 14 as 17.
Um cansaço físico, emocional, mental... 
Na verdade não  tomamos café hoje. Pode ser isso. Não sei. 
Amanhã o plano é irmos ao church office e dar uma olhada e tentar retomar a vida cotidiana conforme ela de nós exige de ser. 
Estamos felizes por estar em casa. 
Coisas boas acontecem o tempo todo. 
Risos, brincadeiras, bolo de chocolate de microondas, frango com limão e cebola. 
De manhã, uma saudade de desfez.
Janaina trouxe uma cesta de legumes e verduras e frutas. 
Que coisa boa é poder contar com amigos, longe e perto. 
De nossa temporada em São João, como alguma coisa fica e muita coisa vai, escolho que fica a saudade da brincadeira de cancela e velotrol. 
E ouvir sinos. 
E o cantar das molas do experiente colchão evocando infâncias. 
E o agradecimento por termos sido acolhidos quando estávamos mais frágeis, e a possibilidade de voltar quando já fortalecidos. 
De agora em diante, é aqui que a história acontece...  Por enquanto. 
Porque amanhã não existe. 

Wednesday, April 8, 2020

converse ou arrebente a si, a outros ou a todos

Converse com as pessoas com quem você está fazendo quarentena. 
Converse. 
Aprenda a conversar, se não tiver o costume. 
Fale o que está na sua cabeça, no seu coração, o que você quer, porque quer, como quer. 
Leve isso pra vida.... 
Senão, na quarentena ou fora dela, vai sobrar pra quem não ten nada com isso. 
Estamos de volta a juiz de fora, de improviso e sopetão. 
Todos seguimos bem, os que viemos e os que ficaram lá. 
E amanhã será um novo dia. 
Dessa vez, em casa.   

Tuesday, April 7, 2020

Três semanas

Hoje tem três semanas que estou fora de casa.
No degredo. 
Não dá pra dizer que está  suprima, mas já me acostumei com muita coisa. 
Amanhã vou colocar a bicicleta ergométrica que encontrei no porão em condição de uso. 
Sinto falta de ir para o trabalho de bicicleta. 
Sinto falta de sol, de vento na cara, de movimento.
Sinto falta de casa. 
Mas estou seguro, é o que importa. 
1030 casos em investigação en juiz de fora. 50 confirmados. 4 mortos. 
Agora é ladeira abaixo por lá, pelos próximos 25 dias... 
Não é hora boa pra voltar. 
Que pena. 

Monday, April 6, 2020

vem, que você sou eu

No telhado de minha casa carne,  a Pisadeira se acocora. 
Desce, Pisadeira, de cima do telhado... 
Senta aqui. 

A Pisadeira me olha travessa, olhar em chama, unhas compridas com sangue por debaixo. 
Uma monstra terrível e fantástica. 

Pisadeira voa em mim, me pisa o estômago. Respiração difícil. Me pisa o pescoço. Ânsia. Me pisa o peito. Alta pressão. 

Com uma dor assim no peito, um começo de angina, converso com ela, trincando dentes, com medo. 

Pisadeira, menina. Não faz isso. Não posso ter medo de ti. Afinal, você sou eu. 

Pisadeira, mulher, não faz assim. Não faz sentido você querer me maltratar me pondo medo sobre você, que é a parte de mim que não sei o que é. 

Pisadeira, meio defunta meio desperta, porque quer causar a mim dor, que é isso de mim que é você que se alegra quando todo o resto sente-se mal? 

Pisadeira, energia represada, grito contido, soco não dado, orgasmo não gozado, trabalho por mim não realizado. Seu nome é ansiedade. 

Seu nome é ansiedade de mim, por razoes mim, em mim. 

Seu nome é saudade de minha porção animal, Pisadeira, eu sei. 

Vem, Pisadeira. 

Vamos andar e fazer poema em prosa e crônica em verso. 

Vamos cantar Beatles. 

Vamos marcar pedalar na ergo métrica. 

Vamos que sua vontade de me assustar 

É o susto que tomo

Por ter medo e saudade de viver. 

Vivamos, doce Pisadeira. Vivamos. 

Vivo assim, conversando com a Ansiedade, que tenta se generalizar, tadinha, mas que é só criança pequena (id? Ego? Em si? Pulsão?) de mil mitologias de mim me lembrando que por mais que anseie eu voltar ao z15, a chave da vida em mim é nunca deixar sair, em forma de monstra, o que também sou, e tenho de não me esquecer de que sou. 

Sou carne 
Uma carne acuada 
Por responsabilidades e vírus 
Revestida com uma fina camada
De poesia. 

Sunday, April 5, 2020

Hoje Antônio fez cocô  no vaso pela primeira vez. 
De manhã eu tive medo e ansiedade e vi o culto presidido pelo bispo através da Internet. E
Hoje Antônio fez cocô no vaso pela primeira vez. 
Almoçamos uma coisa delicia de arroz lentilha farofa baroa frango, comemos maçã de sobremesa. E
Hoje Antônio fez cocô no vaso pela primeira vez. 
Li um bocado de matérias e artigos tentando prever e entender quanto tempo levará até podermos ir pra casa e
Hoje Antônio fez cocô no vaso pela primeira vez. 
Tive aquele aperto no peito ruim de quando a gente vai estourar de ansiedade e 
Hoje Antônio fez cocô no vaso pela primeira vez. 
Assisti YouTube com ele, Antônio. Galinha. Bita. Um gato falante,  Tom. E 
Hoje Antônio fez cocô no vaso pela primeira vez. 
Brincamos de velotrol e cancela e guarita e sempre a cabeça em casa e lá fora e nos cientistas e na crise e no meu pagamento que já foi ou terá de ser parcelado pela editora e
Hoje Antônio fez cocô no vaso pela primeira vez. 
Hosana ele é rei e é domingo de ramos e
Hoje Antônio fez cocô no vaso pela primeira vez. 
Hoje foi um dia tão difícil de processar, um domingo de ramos fora de casa, primeiro domingo de ramos em mais de quinze anos que não presidi um culto, q vida tão ao avesso, segura e ameaçada, calma em mar revolto. 
Que eu não quero pensar em mais nada.só que 
Hoje Antônio fez cocô no vaso pela primeira vez. 
Amanhã, ele lançará em mim outra luz. 
Não fosse meu filho, eu não estaria tentando. 
E hoje... 
Ah, você já sabe. 

Saturday, April 4, 2020

Todo mundo quer que o comércio reabra o mais rápido possível. Todo mundo quer, principalmente quem está se sentindo "preso" na quarentena. Mesmo que é, como eu, entusiasta da Quarentena, quer que reabra o comércio O MAIS RÁPIDO POSSÍVEL, por conta de emprego, salário, mobilidade, sensação de liberdade...
Mas entenda, amigo comerciante, direitista, Bolsonaro-friendly etc:
Primeiro respire fundo, Eu precisei respirar muito fundo antes de escrever, e é de enojar:
Olha a Globo.
A Globo tá desesperada querendo que se faça quarentena, topa até derrubar o presidente se for o caso (leia o Editorial do dia 1 de Abril de O Globo pra ver que não é exatamente isso, a propósito: tal editorial elogiou, e muito, o discurso do dia 31/03).
Mas o "jogo da Globo" não é razão humanitária.
O Grupo Globo pertence e representa o/ao empresariado mais rico e elitista do Brasil. São grandes sonegadores de impostos, os proprietários têm grandes propriedades, são a maior força midiática do Brasil, e em termos de TV Globo, TODA a arrecadação da Globo vem de anúncio.
Anúncio... desse assunto eu entendo pouco: fui roteirista de propagandas de TV, Internet e marketing de cinema. Anúncio funciona e é cobrado mediante TAXA DE CONVERSÃO.
Taxa de Conversão é uma relação entre o tanto que o veículo de mídia cobra para anunciar o seu produto ou serviço e quanto a mais seu serviço vende por conta daquele anúncio. Ou seja, se eu investir 12 mil mensais para colocar minha marca na abertura do MG2 de Juiz de Fora (este era o valor de tabela em 2017), quanto em reais eu vendo por mês a mais? 120 mil? 60 mil? Qual é o LUCRO que este anúncio pode me proporcionar? Esta é, grosseiramente explicada, a tal "taxa de conversão".
Quanto menos o anunciante vende, menos o anúncio vale. Assim, se o anunciante não vender NADA, o anúncio não vale NADA.
O SBT e a Record são de grupos que têm outros negócios. Eles têm uma rede de loterias e serviços bancários (o Baú da Felicidade) e a Igreja Universal do Reino de Deus, curiosamente colocados como serviços essenciais no decreto do presidente que apóiam e que lhes dá preferência. Isto significa que não terão uma perda acentuada no grupo caso a taxa de conversão caia. E a taxa de conversão do SBT é muito baixa. Eu trabalhei com programa no SBT. O valor de anuncio no mesmo horário era metade, 25%, 12% do valor da Globo. e mesmo assim não vendia; não é uma entrada substancial, para a TV em si. O SBT ou a Record não vivem do comércio girar, então não estão tão impactados quanto a Globo.
Agora junte os pontos. A Globo entende, sempre entendeu, de manipulação das massas. É manipulando as massas que ela faz o comércio girar, a marca vender, e você ser enganado.
A Globo está nessa pela grana, e a grana vem quando o comércio gira.
O desespero para que haja quarentena severa o mais rápido possível é porque analistas da Globo provavelmente já concluíram o óbvio: é a medida mais "barata" para o comércio, para o anunciante, e por consequência para ela mesma.
É PRECISO, de um ponto de vista financeiro e econômico; parar tudo o mais rápido possível,frear o consumo, travar a economia, e botar tudo na conta do governo, para conseguir reativar mais rápido depois e recuperar a economia.
Olhando para fora do Brasil, para países de economia muito mais sólida que o Brasil, como Itália, Portugal, Espanha, Reino Unido, China, Estados Unidos, França, Alemanha, Áustria, etc, todos pararam. Não pararam porque desistiram de ser capitalistas ou de adorar o rei Capital e angariar mais dinheiro o mais rápido possível. Pararam porque este é o jeito mais eficiente de salvar a economia: sacrificando um pouco agora.
Então planeje-se, seja empático com seus funcionários e clientes, reinvente-se e pare. Eu parei na empresa onde sou responsável por gestão e cobrança. É uma empresa que só funciona com relação pessoal direta, física.
Tenho certeza de que os clientes compreendem que é para a proteção dos grupos de risco, e muitos seguem pagando mesmo com as portas fechadas suas parcelas normalmente, por empatia criada.
Se eu abrir a empresa, com certeza alguém vai pegar covid, vai transmitir em casa, a culpa vai cair na empresa e vou perder muito mais cliente do que os 40-60% de perda que prevejo para os próximos meses.
Como eu fechei e você continua aberto, a conta de "onde foi que pegamos essa doença que passou para vovó e a matou" não vai vir aqui pra casa, mas vai pra sua.
Então, meu colega, seja inteligente, faça como os Marinho e os proprietários das grandes marcas mundiais, segura as ponta, negocia salário se for o caso da sua necessidade, evite demitir, faça propaganda de sua humanidade, mesmo se for tão falsa quanto a dos Marinho e FECHE AS PORTAS, E NÃO ENCHE o SACO PRA ABRIR DE NOVO ATÉ SER CONSIDERADO SEGURO PELO MINISTÉRIO DA SAÚDE, PELA OMS E ETC, QUE O POVO ESTÁ ADORANDO O MANDETTA E JÁ O QUEREM PRESIDENTE, O QUE EM MUITOS NÍVEIS E DE DIFERENTES FORMAS É UM ABSURDO!
Agora, se sua empresa é mal calculada, sua margem de lucro sempre foi baixa e você não tem lastro pra segurar nem 2 meses sem entrar grana aí, fecha de uma vez, que você já tava pra quebrar de todo jeito.
Beijos capitalistas de luz!